Zeca Pagodinho: “Não penso em morte. Imaginem eu de camisola branca com esse barrigão, tocando harpinha no céu?”
Zeca Pagodinho reflete sobre vida e carreira
Em entrevista à EntreRios, o sambista compartilha suas experiências após 40 anos de carreira, discutindo o filme Deixa a Vida Me Levar, sua família, fé e o equilíbrio entre fama e simplicidade em Xerém.
Após uma turnê internacional que incluiu Portugal, Zeca Pagodinho está se preparando para uma nova jornada musical ao lado de Alcione e Jorge Aragão na turnê O Maior Encontro do Samba. Os shows estão agendados para acontecer no Brasil a partir de junho.
As celebrações pelos 40 anos de carreira continuam, com o lançamento do filme Deixa a Vida Me Levar previsto para 2026. A produção narrará a trajetória de Pagodinho desde a infância até o auge da carreira, com o título inspirado na famosa canção que reflete sua filosofia de vida. “Não dá pra deixar a vida levar em tudo. No trabalho e na família, é preciso responsabilidade”, afirma Zeca.
A atriz Juliana Knust já está confirmada no elenco, interpretando Mônica Silva, sua esposa há 39 anos. O roteiro será baseado na biografia de Jane Bezerra e Leo Bruno. Além do filme, um projeto audiovisual para streaming está sendo desenvolvido, com diversas cantoras homenageando sua obra.
O nome de Zeca Pagodinho tornou-se uma marca forte no Brasil. Seu bar, que leva seu nome, possui seis filiais e planos de expansão para Lisboa. Apesar do sucesso, ele esclarece que não é proprietário dos estabelecimentos: “Se fosse meu, já teria ido à falência”.
Zeca licencia sua marca para diversos produtos, com parte dos lucros direcionados ao Instituto Zeca Pagodinho, em Xerém, que também recebe um cachê fixo da cervejaria Brahma. “Meu contrato como garoto-propaganda vai direto para a escola de música do Instituto, cerca de R$ 40 mil por mês”, revela.
Com uma base de fãs crescente, incluindo jovens e crianças, Zeca observa que se tornou tema de festas de aniversário. Ele comenta sobre ter sido o precursor da celebração de "mesversário" para bebês, algo que não existia quando seu filho Eduardo nasceu.
O cantor, que se apresenta como um superavô, mantém contato diário com os netos, garantindo que estão bem. Sua jornada começou em 1959, no Irajá, onde cresceu em uma família humilde. Desde jovem, trabalhou em diversos empregos para ajudar a sustentar a casa, afastando-se da escola, mas se aproximando das rodas de samba.
Zeca começou com o apelido de Seca, que evoluiu para Zeca e, finalmente, para o pagodinho. A fama chegou sem planejamento: “Estou aqui muito feliz por comemorar quatro décadas fazendo o que eu gosto”.
Suas músicas refletem a realidade do povo brasileiro, sempre com um toque de ironia e religiosidade. “Sem Deus, não há nada. Nunca pensei em me reinventar. Estou bem assim”, diz.
Apesar do sucesso, ele admite que já considerou parar por conta da pressão da fama. “Me incomoda um pouco, mas também é bom espalhar alegria”, afirma, citando histórias de admiradores que encontram conforto em suas músicas.
Zeca fala sobre sua filosofia de vida, expressa em suas canções. “Na vida, dormiu no ponto, perdeu a oportunidade”, menciona sobre uma de suas músicas.
Ele também reflete sobre a importância de não atrapalhar a vida alheia e de valorizar o que realmente importa. “Sem Deus e labuta, não há sucesso”, destaca.
Zeca planeja uma viagem com a família após a turnê, expressando seu desejo de aproveitar a vida. “Penso nisso toda hora, mas não foco no fim da vida. Imaginem eu de camisola branca com esse barrigão, tocando harpinha no céu? Não dá, né?” conclui, em tom bem-humorado.
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