XP Asset amplia aposta em CRIs e recicla carteiras de fundos imobiliários
XP Asset intensifica investimento em CRIs e ajusta carteiras de fundos imobiliários
27/02/2026 08h00
Atualizado 12 horas atrás
A equipe de gestão de fundos imobiliários da XP Asset Management, uma das líderes do setor no Brasil com mais de R$ 250 bilhões sob gestão, reforçou no quarto trimestre de 2025 sua estratégia de priorizar Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs). A decisão considera essa classe de ativos como a mais vantajosa para os investidores em meio ao atual cenário de juros elevados. Essa movimentação foi acompanhada de uma reciclagem ativa nas carteiras, com a venda de ativos que atingiram seus preços-alvo e a entrada em novas oportunidades.
No XP Hedge Fund (XPHF), o portfólio fechou o trimestre com 26 operações de crédito, totalizando R$ 203 milhões atrelados ao IPCA, com taxa média de 8,66% ao ano, e R$ 35 milhões vinculados ao CDI, a uma taxa média de CDI + 3,05%. O resultado obtido foi de R$ 0,30 por cota, totalmente distribuído aos cotistas. Entre as novas alocações, destacam-se dois CRIs: um built-to-suit em São Paulo com taxa de IPCA + 9,75% e outro associado à distribuidora da Femsa Coca-Cola na região Nordeste do estado, a IPCA + 8%.
No XP Selection (XPSF), fundo de fundos da gestora, o resultado ficou em cerca de R$ 0,20 por cota.
A gestora realizou vendas de posições, como Bresco Logística e outros fundos que atingiram a rentabilidade esperada, substituindo-os por ativos do segmento de tijolo, como o JSRE, fundo de lajes corporativas do Safra, e o Tellus Properties, adquirido em cota descontada após movimentação tática de um grande investidor.
A exposição a CRIs no Selection encerrou o ano em 5,54% do patrimônio líquido, com a gestora manifestando interesse em aumentar essa proporção.
Outro ponto relevante foi o block trade do fundo Lago da Pedra, um veículo estruturado similar a CRI com retorno-alvo de CDI + 3%.
O dividend yield anualizado do Selection ficou em 15,92%, enquanto o do Hedge Fund alcançou 15,79%, ambos com gross up de aproximadamente 15% para fins de comparação com renda fixa tributada.
O pano de fundo para a estratégia da gestora é a expectativa crescente para o início do ciclo de queda da Selic. O Banco Central, sob a liderança de Gabriel Galípolo, indicou na reunião de janeiro que a próxima decisão de política monetária, prevista para março, poderá resultar em cortes nos juros, atualmente em 15% ao ano.
De acordo com a equipe da XP Asset, essa sinalização foi acompanhada de revisões sucessivas para baixo nos índices de inflação ao longo de 2025, o que resultou na queda dos juros futuros nominais.
A combinação de perspectivas de corte na Selic e inflação controlada reacendeu o apetite dos investidores pessoas físicas, que representam a principal base de cotistas dos fundos imobiliários, levando-os a retornar ao lado comprador no mercado secundário. O IFIX registrou uma valorização de 5,18% no quarto trimestre, acumulando rentabilidade de 21,15% em 2025.
O fundo de investimento imobiliário encerrou o 4T25 com R$ 4,3 bilhões de patrimônio, liquidez média de R$ 13 milhões ao dia e um reforço em CRIs indexados à inflação.
Apesar da política monetária restritiva ao longo do ano, a gestora observou uma desaceleração da atividade econômica, fato já esperado pela equipe macroeconômica.
Entretanto, o mercado de trabalho se mostrou resiliente, com a taxa de desemprego atingindo 5,4% em dezembro, renovando mínimas históricas.
No aspecto fiscal, a XP Asset considerou a reforma do imposto de renda, que isenta quem ganha até R$ 5 mil, como positiva para o consumo, apesar do impacto negativo nas contas públicas. Setores como shopping centers e logística ligada ao e-commerce podem ser os principais beneficiados.
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