XP alerta para “imposto inflacionário” e lista três riscos de investir só em CDI
XP alerta sobre “imposto inflacionário” e aponta riscos de investir apenas em CDI
25/02/2026 13h48
Atualizado há 3 minutos
Diante do aumento da dívida pública nas principais economias e déficits persistentes, cresce a possibilidade de governos adotarem a repressão financeira. Essa estratégia envolve manter juros artificialmente baixos, permitindo que a inflação diminua gradualmente o valor real das dívidas, o que acaba impactando a população. Para os investidores, isso pode resultar em uma perda silenciosa de poder de compra, mesmo com aplicações apresentando rendimentos nominais.
A XP emitiu um alerta sobre esse cenário, especialmente nos Estados Unidos, onde as chances de juros reais baixos ou negativos por períodos prolongados aumentam. Nesse contexto, um “imposto inflacionário” pode prejudicar os investimentos e afetar especialmente aqueles que acreditam que manter tudo em renda fixa atrelada ao CDI é uma estratégia prudente.
A análise também destaca que o juro longo do Tesouro IPCA+ caiu para o menor nível desde a crise do “Flávio Day”, refletindo a melhora das contas externas e o fluxo positivo de investimentos em ativos locais, impulsionado pela fraqueza do dólar.
O gestor da XP Asset, Artur Wichmann, ressalta que, embora o CDI possa parecer atraente, a percepção de segurança pode ser enganosa. “O que parece suficiente hoje pode não preservar o poder de compra amanhã; e, pior, pode nos levar a ignorar custos de oportunidade e a uma concentração excessiva em um único tipo de investimento”, afirma a equipe de alocação da empresa.
A repressão financeira não só limita as taxas de juros, mas também cria uma demanda cativa por títulos públicos. Em um cenário de inflação alta, o valor real da dívida tende a diminuir ao longo do tempo. A XP argumenta que, diante da resistência a medidas de ajuste fiscal, essa abordagem pode se tornar uma alternativa viável para governos lidarem com déficits crescentes, o que representa uma armadilha para os investidores.
Três riscos de investir exclusivamente em CDI
A XP destacou três riscos principais associados à concentração total em renda fixa pós-fixada.
O primeiro risco é a discrepância entre ganho nominal e ganho real. Em um cenário de elevada endividamento, pode haver um incentivo para tolerar inflação mais alta, o que impacta negativamente a rentabilidade real após descontados inflação e impostos.
O segundo risco é o ciclo de juros. Quando as taxas diminuem, o CDI também cai, e investidores que demoram a diversificar podem perder oportunidades em outras classes de ativos que oferecem retornos reais mais altos a longo prazo.
O terceiro risco é a concentração. Um portfólio que depende apenas de pós-fixados se torna menos robusto e carece de fontes diversificadas de retorno, além de não incluir ativos internacionais.
Com a perspectiva de juros reais baixos, a XP sugere que ativos reais, como imóveis, infraestrutura e ouro, podem servir como proteção contra a perda de poder de compra na renda fixa tradicional, já que não podem ser “impressos” ou manipulados da mesma forma que os títulos nominais.
Apesar disso, a casa observa que essa proteção vem com um custo, pois ativos reais geralmente apresentam maior volatilidade.
Apesar dos desafios, a XP acredita que o CDI deve continuar a ser um componente importante na carteira de investimentos, especialmente como um núcleo defensivo, por oferecer liquidez e contribuir para a redução da volatilidade. A recomendação central é “diversificar de verdade”, combinando ativos brasileiros e internacionais, pós-fixados, inflação, prefixados, além de ativos reais e fontes de crescimento.
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