WhatsApp: queda de braço com terceiros chega a outro nível com agentes de IA
Disputa no WhatsApp se intensifica com a chegada de agentes de IA
A batalha pelo controle da inteligência artificial (IA) no WhatsApp ganhou novos contornos nesta segunda-feira (2), aprofundando o duelo entre a Meta e um grupo que inclui as startups Zapia e Luzia, além das gigantes Microsoft e OpenAI.
No Brasil, essa disputa já chegou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e está em análise judicial, colocando em jogo o acesso à plataforma mais utilizada no país.
O foco da contenda gira em torno da oferta de chatbots de IA dentro do WhatsApp. Para as empresas envolvidas, marcar presença no aplicativo é essencial para estabelecer uma posição estratégica no principal canal de comunicação digital dos brasileiros.
Após uma decisão judicial que restringiu concorrentes do Meta AI, a Meta enfrenta agora novos desafios com a Zapia, que promete intensificar a complexidade do embate.
Zapia busca alternativas diante das políticas da Meta
A startup uruguaia, fundada há dois anos, está prestes a anunciar a oferta de agentes de IA, considerados marcos da nova era da inteligência artificial, segundo informações do UOL.
Esses agentes, diferentes dos chatbots tradicionais, são descritos como robôs autônomos que podem executar tarefas de forma independente, aprender as necessidades dos usuários e agir proativamente, antecipando demandas.
O lançamento inicial ocorrerá no aplicativo da Zapia, mas a empresa já realiza testes para integrar a funcionalidade ao WhatsApp, com a expectativa de implementar a novidade na plataforma em breve. A chegada desses assistentes ao app da Meta é considerada "bem provável" internamente.
Se concretizada, essa movimentação representaria uma intensificação da presença da Zapia em território concorrente e uma antecipação à oferta de agentes dentro do ecossistema da Meta. A Manus AI, adquirida pela Meta, já liberou agentes, mas apenas no Telegram.
A Zapia, atualmente, atende seis milhões de pessoas na América Latina. Seu agente de IA é capaz de realizar reservas, criar lembretes, gerenciar agendas, responder a perguntas e executar tarefas, assim como muitos chatbots disponíveis no mercado.
Com o lançamento do Zapia Max, a empresa avança para a era dos agentes de IA. O novo sistema poderá interagir com outros aplicativos para pesquisar e comparar preços, detectar quedas de valores, organizar e-mails e editar documentos.
O motor dessa inovação, conforme o UOL, é o OpenClaw, um sistema de código aberto projetado para atuar como agente de IA, com a capacidade de controlar um computador e automatizar fluxos de trabalho. Sua principal vantagem é operar diretamente nos dispositivos dos usuários e em plataformas de mensagem como WhatsApp, Telegram, Discord e Slack.
Entretanto, a Zapia já se manifestou em um blog, desqualificando o OpenClaw em comparação à sua própria ferramenta, afirmando que não concederá controle irrestrito ao OpenClaw em sua aplicação, limitando suas ações a permissões especiais.
Os agentes de IA têm atraído o interesse das grandes empresas de tecnologia. O OpenClaw deu origem ao Moltbook, uma rede social operada exclusivamente por robôs, onde humanos são apenas espectadores.
Recentemente, o fundador do Moltbook, Peter Steinberger, foi contratado pela OpenAI, conforme anúncio de Sam Altman. Steinberger continuará a manter o sistema e transferirá sua gestão para uma fundação que receberá apoio da desenvolvedora do ChatGPT.
A Meta também tem investido fortemente nesse segmento, adquirindo a Manus AI por US$ 3 bilhões (cerca de R$ 15,5 bilhões) no ano passado. A empresa, que começou na China, foi realocada para Singapura, destacando-se no desenvolvimento de agentes de IA.
A disputa entre Meta e as startups se intensificou em janeiro, quando a big tech proibiu desenvolvedores de IA de oferecer seus serviços no WhatsApp, permitindo apenas empresas que utilizam IA generativa para melhorar o atendimento ao cliente. A Zapia e a Luzia denunciaram essa prática ao Cade, que suspendeu a medida no Brasil após abrir uma investigação.
Em outros países, a Meta adotou abordagens diferentes. Em locais onde não conseguiu manter a proibição, como na Itália, começou a cobrar por mensagens trocadas com chatbots. No Brasil, após obter uma decisão favorável, a empresa não tem planos de implementar essa cobrança por enquanto.
Para a Zapia, as restrições da Meta acabaram acelerando a transformação de seu aplicativo no principal canal de distribuição. A estratégia inclui o lançamento simplificado dos agentes de IA.
A startup uruguaia também recebeu um investimento de R$ 36 milhões da Prosus Ventures, braço de investimentos da Prosus, liderada pelo brasileiro Fabrício Bloisi, ex-líder do iFood. Além do aporte financeiro, a Zapia espera se beneficiar da expertise do grupo em momentos desafiadores.
Considerada uma gigante discreta do setor de tecnologia, a Prosus é dona de empresas como iFood, Decolar e OLX, além de ter participação na chinesa Tencent e no Nubank. Coincidentemente, a Prosus também investe na Luzia, outra empresa que compete no WhatsApp.
Sob a liderança de Bloisi, o objetivo é aumentar os recursos destinados à Zapia e direcionar investimentos para outras startups de IA, fortalecendo a presença do grupo no setor e adicionando novos capítulos à disputa que tem o WhatsApp como palco principal.
A equipe do Olhar Digital entrou em contato com a Zapia e aguarda retorno.
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