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Wall Street cai conforme conflito no Oriente Médio alimenta temores de inflação

Wall Street registra queda com aumento de tensões no Oriente Médio

Os índices de ações nos Estados Unidos apresentaram uma queda significativa nesta terça-feira, com investidores alarmados sobre a possibilidade de um prolongamento do conflito no Oriente Médio, o que poderia elevar a inflação.

O Dow Jones registrou uma queda de 0,83%, fechando a 48.501,27 pontos. O S&P 500 caiu 0,94%, para 6.816,63 pontos, enquanto o índice Nasdaq teve uma diminuição de 1,02%, encerrando em 22.516,69 pontos.

O clima de aversão ao risco no mercado se intensificou, superando o sentimento do dia anterior, logo após o início das hostilidades. As vendas foram amplas, e o índice de volatilidade Cboe alcançou seu maior fechamento desde novembro. Apesar disso, os índices terminaram acima de seus mínimos do dia, com o S&P 500 fechando com uma queda de 0,9%, após uma perda superior a 2% no início do pregão.

Investidores estão apreensivos com os impactos do conflito, que já dura quatro dias, sobre a inflação, especialmente com os preços do petróleo em alta. Ações militares de Israel e dos Estados Unidos contra alvos no Irã geraram retaliações iranianas na região do Golfo e espalharam o conflito para o Líbano.

Chuck Carlson, executivo da Horizon Investment Services, comentou que há uma percepção crescente de que a guerra pode se prolongar mais do que o inicialmente previsto, o que pode afetar a infraestrutura energética.

Os índices acionários na Europa e Ásia também sofreram suas maiores quedas em dois dias desde abril. O petróleo Brent subiu 7%, superando brevemente a marca de US$ 85 por barril, o que não ocorria desde julho de 2024. Os preços do gás europeu aumentaram 28%, com a principal planta de exportação de GNL do Catar ainda fechada.

Após quatro altas consecutivas, o ouro caiu 2,9%. O dólar se destacou como um porto seguro, com uma valorização de 0,7%. As preocupações com a permanência elevada dos preços de energia impulsionaram os rendimentos globais, que subiram pelo segundo dia consecutivo.

Os yields dos Treasuries de dez anos aumentaram seis pontos-base, atingindo 4,10%, à medida que as expectativas de um segundo corte de juros pelo Federal Reserve em 2026 diminuíram. Uma aceleração inesperada da inflação na zona do euro fortaleceu as expectativas de um aumento de juros pelo Banco Central Europeu ainda este ano.

Informações da Reuters revelaram que um comandante da Guarda Revolucionária iraniana declarou que o Estreito de Ormuz, uma rota vital para o transporte de petróleo, está fechado, e que o Irã poderia incendiar navios que tentassem atravessar.

O aprofundamento do conflito ficou evidente com os seguintes acontecimentos:

A embaixada dos EUA em Riad, na Arábia Saudita, foi alvo de drones, enquanto o Irã intensificava seus ataques ao país. O Departamento de Estado dos EUA ordenou a evacuação de pessoal de Bahrein, Iraque e Jordânia.

O Hezbollah, grupo apoiado por Teerã, lançou mísseis e drones contra Tel Aviv.

As incertezas aumentam sobre a capacidade dos estados do Golfo, como os Emirados Árabes Unidos, de resistir aos ataques com suas defesas aéreas.

O ex-presidente Donald Trump alertou que o conflito pode durar mais de quatro semanas.

A alta nos preços de energia está pressionando as taxas dos Treasuries, especialmente num momento em que investidores aguardam cortes de juros pelo Federal Reserve para estimular a economia.

A situação do gás natural na Europa se tornou ainda mais preocupante após a queda da produção de GNL do Catar, com os futuros do gás natural europeu subindo mais de 70% em apenas dois dias.

As ações do setor de tecnologia, que haviam mostrado recuperação na segunda-feira, também recuaram. Empresas como Nvidia e Broadcom apresentaram quedas em torno de 2% cada. As ações de fabricantes de memória nos EUA enfrentaram pressão, refletindo as fortes perdas observadas em seus pares na Coreia do Sul. A maioria das ações do S&P 500 fechou em baixa, exceto pelos papéis de petróleo e energia.

Adicionalmente, as ações da Blackstone caíram 7% após o Financial Times noticiar que seu fundo de crédito privado registrou saídas líquidas de US$ 1,7 bilhão no primeiro trimestre.


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