Vorcaro mantinha estrutura de intimidação de pessoas, cita ministro
O banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, estabelecia uma rede de vigilância e intimidação contra indivíduos considerados adversários de seus interesses, segundo o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em declaração realizada nesta quarta-feira, 4 de outubro. Vorcaro foi detido na manhã de hoje, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero.
As investigações revelam que o banqueiro mantinha relações próximas com dois servidores de alto escalão do Banco Central (BC), que atuavam como “empregados/consultores”, fornecendo informações privilegiadas. Os servidores identificados são Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de fiscalização, e Belline Santana, ex-servidor.
A prisão de Vorcaro havia sido inicialmente determinada pelo ministro Dias Toffoli em novembro, mas a medida foi posteriormente substituída pela imposição de tornozeleira eletrônica. Agora, a nova ordem de prisão, solicitada pela Polícia Federal (PF), foi emitida por Mendonça, que assumiu a relatoria do caso após a saída de Toffoli.
As investigações sugerem que o caso do Banco Master pode ser a maior fraude financeira já registrada no Brasil, com o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) estimando que os ressarcimentos a clientes afetados poderão ultrapassar R$ 50 bilhões.
O processo chegou ao STF em novembro, após surgirem evidências de envolvimento de autoridades com foro privilegiado, embora até o momento nenhum deles esteja entre os investigados.
Além de Vorcaro, a prisão de Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro e responsável por pagamentos e cobranças, também foi determinada. Ele era encarregado de efetuar pagamentos para um grupo conhecido como A Turma, que se dedicava a monitorar e intimidar indivíduos percebidos como ameaças.
Conforme relatórios da PF, Mendonça descreve A Turma como uma estrutura destinada a coletar informações e realizar atos de coação contra concorrentes, ex-empregados e jornalistas.
Em intercâmbios de mensagens com Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, identificado como Felipe Mourão e apelidado de Sicário, Vorcaro manifestou a intenção de “moer essa vagabunda”, referindo-se a uma funcionária que estaria o ameaçando. Mourão também teve a prisão decretada por Mendonça, sendo apontado como responsável por obter informações sigilosas e monitorar alvos.
As investigações revelam que Mourão recebia R$ 1 milhão mensais.
Mendonça destacou a “dinâmica violenta” do grupo, exemplificando com mensagens sobre um jornalista que publicou uma matéria desfavorável a Vorcaro. Na manhã desta quarta-feira, Lauro Jardim, do jornal O Globo, se identificou como o alvo mencionado nas comunicações.
Trechos das conversas revelam planos para seguir e agredir o jornalista, indicando fortes indícios de que Vorcaro ordenou a Mourão que simulasse um assalto para intimidar o profissional e silenciar a imprensa que se opusesse aos seus interesses.
O grupo também contava com o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, que, segundo as investigações, era responsável por coletar dados sensíveis e monitorar alvos designados por Vorcaro.
A PF investiga crimes como violação de sigilo funcional e crimes contra o sistema financeiro nacional. A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou contra a urgência das medidas solicitadas pela PF, alegando a ausência de perigo iminente.
Mendonça expressou preocupação com a liberdade dos investigados, ressaltando que isso poderia comprometer a integridade das investigações e a confiança na justiça penal, permitindo que uma organização criminosa operasse livremente, causando danos significativos à sociedade.
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