Banco Master

Vorcaro decide não comparecer à CPI do INSS e depoimento é cancelado

Vorcaro não comparecerá à CPI do INSS e depoimento é cancelado

O depoimento de Daniel Vorcaro na CPI poderia ter sido uma oportunidade para expor as relações da bancada do Master.

O banqueiro recebeu autorização do STF para prestar depoimento, mas sua presença tornou-se opcional após o ministro André Mendonça, novo relator do caso, afirmar que não há obrigação de comparecer. Em seu lugar, a CPI ouvirá a empresária Ingrid Pikinskeni Morais Santos, que foi alvo de mandados de busca e apreensão da Polícia Federal em 2025, durante a Operação Sem Desconto.

Na última sexta-feira, 20, Mendonça devolveu à CPI do INSS o acesso a dados bancários, fiscais e telefônicos de Vorcaro. O ex-relator do caso, Dias Toffoli, havia imposto sigilo absoluto sobre as informações, que estavam sob a custódia do presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

Agora, Alcolumbre deverá entregar à Polícia Federal todos os dados provenientes das quebras de sigilo, em formatos físico ou digital. Em outra decisão, Mendonça rejeitou o pedido de Vorcaro para viajar de São Paulo a Brasília com uma tornozeleira eletrônica em um jato particular, devido ao risco de fuga.

Fontes próximas a Vorcaro informaram ao Estadão que ele não comparecerá à CPI porque acredita que parlamentares pretendem transformar seu depoimento em um “circo” para fins eleitorais. A defesa do banqueiro afirmou que ele só compareceria se pudesse abordar exclusivamente o tema das investigações, como a questão do crédito consignado.

Vorcaro também deve remarcar seu depoimento na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, agendado para terça-feira, 24. Na CAE, ele é convidado a responder sobre as operações irregulares que resultaram na liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central, ocorrido em novembro do ano passado. Assessores do banqueiro afirmam que a CAE proporciona um ambiente “mais técnico”, mas sua presença ainda não está confirmada.

O senador Renan Calheiros (MDB-AL), presidente da CAE, destacou que o colegiado não abordará questões já em discussão na CPI do INSS e pretende investigar as brechas que possibilitaram as fraudes do Master.

Renan expressou preocupações sobre as conexões de Vorcaro com a política. “O Centrão quer esvaziar nosso trabalho, mas não conseguirá”, afirmou.

No ano anterior, o senador Ciro Nogueira (PI), presidente do PP e figura proeminente do Centrão, tentou, sem sucesso, aumentar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por CPF.

Candidato a novo mandato, Renan é adversário do ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que também concorrerá a uma vaga no Senado este ano. Lira e Ciro estão entre os alvos de Renan no Centrão.

A CAE formou um grupo de trabalho para investigar especificamente o escândalo do Master, já tendo conversado com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

“A comissão atua permanentemente na supervisão do sistema financeiro nacional e suas falhas que favorecem fraudes como a do Master. Nosso trabalho fortalece, sem conflitos, qualquer CPI que busque punir responsáveis e aprimorar a legislação”, concluiu Renan.


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