Voo infinito? Nova tecnologia a laser pode manter drones voando por semanas
Voo infinito: tecnologia a laser promete prolongar a autonomia de drones
A possibilidade de estender as missões de drones de horas para dias ou até semanas pode se concretizar em breve. A PowerLight Technologies, uma empresa dos Estados Unidos, revelou uma inovação capaz de recarregar drones em pleno voo utilizando feixes de laser projetados do solo.
Desenvolvida em parceria com o Departamento de Defesa dos Estados Unidos (DoD), essa tecnologia permite que os veículos aéreos não tripulados (VANTs) deixem de lado os pousos frequentes para recarga. Assim, em vez de retornarem à base a cada 30 ou 60 minutos, as aeronaves pousariam apenas para manutenções programadas.
Em comunicado, a empresa de Kent, nos EUA, detalhou que o sistema é composto por dois elementos principais: um transmissor em solo e um receptor incorporado ao drone. Diferente dos lasers convencionais que operam em miliwatts, essa transmissão de energia emite feixes na ordem de quilowatts, ou seja, milhares de watts.
O grande diferencial está no software avançado de controle, que permite ao transmissor localizar e rastrear o alvo ativamente, assegurando uma transferência de energia segura mesmo com a aeronave em movimento. De acordo com a PowerLight, o transmissor pode operar com drones em altitudes de até 1,5 mil metros.
O receptor, com apenas 2,7 quilos, é instalado no drone e capta a energia do laser, convertendo-a em eletricidade para as baterias, mantendo-as sempre carregadas durante o voo. Assim como um celular conectado à tomada, a “linha de energia sem fio” garante o funcionamento contínuo do aparelho enquanto recarrega.
Funcionamento do sistema de recarga a laser
No solo, o transmissor utiliza uma modelagem de feixe, um sistema óptico que “modela” o laser para preservar suas propriedades ideais, permitindo que a máxima energia seja transmitida eficientemente por longas distâncias até o drone.
O receptor é o componente essencial no ar. Diferentemente dos painéis solares convencionais, suas células fotovoltaicas são sintonizadas para captar exclusivamente a frequência monocromática do laser. Esse comprimento de onda específico transforma a luz diretamente em eletricidade, recarregando as baterias durante o voo.
A tecnologia de rastreamento é crucial, prevendo os movimentos do drone. Algoritmos processam dados em tempo real sobre velocidade, vetor e altitude, ajustando continuamente a direção e a intensidade do feixe. Um sistema de segurança interrompe a transmissão ao detectar obstruções ou perda de contato com a aeronave.
A comunicação é baseada em uma arquitetura de dados bidirecional. Sensores no drone monitoram a temperatura da bateria e o consumo em tempo real, retransmitindo essas informações via link óptico. Em terra, os operadores ajustam a potência para lidar com picos de consumo.
Tom Nugent, CTO e cofundador da PowerLight, afirmou: “Nosso transmissor rastreia velocidade e vetor, entregando energia exatamente onde necessário”. Testes de voo com o K1000ULE, um drone elétrico de ultralonga duração, estão programados para o início de 2026.
Superando limites de autonomia
Os drones evoluíram de simples brinquedos tecnológicos para ferramentas essenciais em diversas áreas, como agricultura de precisão, resgates, segurança pública, cinema e aplicações militares, como o drone Raven RQ-11B, utilizado pelas forças armadas dos EUA.
Entretanto, em missões de inteligência e vigilância em grandes altitudes, esses VANTs enfrentam uma limitação crítica: a autonomia de voo. Muitas vezes, missões importantes são interrompidas para que as aeronaves retornem à base para recarregar.
A PowerLight busca superar essa limitação — com um máximo de uma hora de autonomia em drones comerciais — por meio de sua inovadora transmissão de energia laser de alta potência. Mais do que uma simples recarga em voo, o objetivo é proporcionar energia contínua para potencializar as capacidades operacionais da aeronave.
A visão da empresa inclui a criação de uma infraestrutura energética distribuída, utilizando uma rede em malha de energia sem fio, onde transmissores portáteis podem alimentar múltiplos drones simultaneamente. “Não se trata apenas de transferência ponto a ponto”, afirma Nugent. “Estamos desenvolvendo uma rede de energia inteligente”.
Apesar do avanço significativo, o sistema da PowerLight ainda precisa enfrentar desafios práticos antes de sua implementação definitiva. Além das questões técnicas, há também preocupações com a segurança, incluindo potenciais riscos para aeronaves tripuladas, aves e pessoas no solo, além das regulamentações das agências de aviação civil em todo o mundo.
← Voltar para as notícias