Vixe! Wagner volta atrás e deixa Jerônimo anunciar chapa. Os cenários de Coronel e a luta por um partido. A bolha de Rui, a ameaça de Lula e a pesquisa do governo
O senador Jaques Wagner (PT) precisou recuar sobre suas declarações a respeito da chapa para a reeleição do governador Jerônimo Rodrigues (PT). Em uma entrevista na semana passada, Wagner havia afirmado que a composição estava definida, com Jerônimo para o governo, ele e Rui para o Senado, e Geraldo Júnior na vice. Contudo, ao ser questionado pela imprensa em Feira de Santana, ele esclareceu que sua fala era apenas uma opinião pessoal e que aguardaria o retorno do governador da Índia para tomar decisões definitivas.
“Com a decisão do senador Ângelo Coronel de concorrer à reeleição em outro grupo, a dificuldade que tínhamos no Senado desaparece. Portanto, para o Senado estão definidos os candidatos. Eu, que sou candidato à reeleição, e Rui Costa, que é ex-governador e atual ministro. Jerônimo também vai para a reeleição. Essa é a minha opinião, não a decisão final do governo. Em time que está ganhando, não se mexe”, explicou Wagner, tentando minimizar os danos causados pela sua declaração, já que a composição deve ser anunciada por Jerônimo, o líder natural do processo.
A entrada de Ângelo Coronel na oposição fortalece o grupo do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (UB), mas também cria uma disputa delicada para Coronel, que deixou o PSD e ainda procura um partido para as próximas eleições. Informações indicam tentativas de transferência para o PSDB e para os Republicanos, mas sem sucesso.
A presença de Coronel, um senador com mandato e influência política, pode levar à sua ascensão na sigla que escolher, causando tensões na oposição, especialmente no PSDB. Uma possibilidade é que ele se junte ao União Brasil, embora esteja recebendo propostas de outros partidos, como o PP e o DC, sendo mais provável a adesão ao Democracia Cristã.
Analistas políticos da Bahia afirmam que a corrida para o Senado está bastante acirrada. O ministro Rui Costa, que lidera as pesquisas, pode garantir a primeira vaga, enquanto a segunda deve ser disputada por Coronel, Wagner e o pré-candidato do PL, João Roma. No entanto, há quem acredite que a primeira vaga esteja reservada para Coronel, que deve contar com o apoio de ACM Neto e também dos aliados do governo do PT.
Diferentemente de Rui Costa, que deve receber o apoio de Jerônimo, é improvável que ele consiga votos dos apoiadores de ACM Neto. Por isso, a segunda vaga pode ser disputada entre ele, Wagner, o advogado Carlos Sodré (PTB) e João Roma.
Coronel é bem articulado e possui forte capital político entre prefeitos, especialmente devido ao seu projeto que reduziu a contribuição previdenciária, trazendo economia para os municípios. Diante desse cenário, é esperado que Coronel conquiste a primeira vaga, enquanto a segunda será disputada por Rui, Wagner e Roma.
O PSB foi cogitado como um possível destino para Ângelo Coronel. Apesar da presidente estadual do partido, Lídice da Mata, ter negado, a direção nacional teria contatado o deputado federal Diego Coronel. As insatisfações do presidente nacional, João Campos, com Rui Costa, que apoia a governadora Raquel Lyra em Pernambuco, podem ter motivado essa movimentação, que aparentemente não avançou.
Teorias sugerem que a política brasileira pode enfrentar reviravoltas caso o presidente Lula não consiga se candidatar à reeleição, devido à possibilidade de impugnação relacionada ao uso de dinheiro público em uma escola de samba que o homenageou. Com a candidatura de Flávio Bolsonaro e outro candidato do centrão, a disputa pode ir para o segundo turno, complicando a posição de Lula.
O líder do Governo na Assembleia, deputado Rosemberg Pinto, celebrou os números de uma pesquisa que mostra Jerônimo Rodrigues com 52,51% das intenções de voto, contra 35,65% de ACM Neto. Ele destacou que a aprovação ao governador cresce, inclusive em regiões onde o PT tradicionalmente não é forte.
Por outro lado, ACM Neto contestou a ideia de que o alinhamento entre os governos estadual e federal seria a solução para a crise de segurança pública na Bahia, afirmando que a afinidade partidária não é suficiente para combater a criminalidade.
O advogado Carlos Sodré, pré-candidato ao Senado pelo PTB, comentou sobre o lançamento da chapa do PT, apontando falhas na estratégia e insatisfação com o processo de definição dos candidatos, sugerindo que a situação pode indicar um desgaste político.
O presidente do Podemos na Bahia, Heber Santana, anunciou sua pré-candidatura a deputado estadual, revelando sua intenção de fortalecer o partido no estado e buscar novamente uma vaga na Assembleia Legislativa.
← Voltar para as notícias