Vídeo com neblina em Boa Vista não representa poeira do Saara, esclarece especialista
Um vídeo que circula nas redes sociais, mostrando uma densa camada semelhante à fumaça no céu de Boa Vista, não está relacionado à poeira do Deserto do Saara, conforme esclarece o meteorologista Ramón Alves, da Fundação Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Femarh). O especialista refutou a associação feita em publicações que sugerem que o fenômeno se deve à chegada de partículas do continente africano.
Recentemente, moradores notaram um aspecto incomum no céu, que ficou acinzentado. Contudo, segundo Ramón Alves, formações densas e visíveis, como as do vídeo, geralmente estão associadas à neblina, fumaça ou partículas de origem local, e não à poeira do Saara.
O meteorologista explica que a poeira do Saara é composta por partículas extremamente finas, que não se apresentam visualmente como uma massa espessa. “A poeira do Saara é uma coisa que não conseguimos ver a olho nu. Essa imagem é outra situação. Fizeram uma montagem que não tem relação com a poeira do Saara. A poeira é uma coisa, e a imagem é outra, é fumaça ou neblina”, destacou.
Além disso, Ramón Alves ressaltou que o fenômeno ocorre de forma sazonal, não estando presente durante todo o ano. “Há uma certa frequência sazonal dessa poeira, trazendo, por exemplo, fósforo para o nosso solo. Isso não acontece o tempo todo, geralmente entre dezembro e março”, afirmou.
A movimentação de poeira africana também foi registrada recentemente no estado do Amapá, onde especialistas do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá (Iepa) explicaram que as partículas são transportadas por correntes atmosféricas e podem alcançar países da América do Sul, como Brasil, Guiana Francesa e Suriname. Porém, esse fenômeno só pode ser identificado com o uso de sensores e instrumentos específicos.
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