Lulinha

Viagem de Lulinha com Careca do INSS movimenta CPMI

A revelação de que Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, admitiu a interlocutores que teve suas viagens custeadas pelo empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS", agitou a sessão da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) na segunda-feira, dia 2, relacionada aos desvios de aposentadorias e pensões.

Parlamentares da oposição utilizaram a informação, divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo, para reforçar a necessidade de quebra de sigilo do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo a reportagem, Lulinha teria viajado a Portugal para explorar oportunidades de negócios na área de cannabis medicinal em associação com o empresário, que está preso sob a acusação de ser o principal operador nos descontos indevidos.

Lulinha reconheceu que as despesas de voo e hospedagem foram pagas pelo empresário, mas assegurou que o negócio não avançou e que não tinha conhecimento sobre os desvios no INSS.

A defesa de Lulinha afirmou que as informações da reportagem não foram provenientes dele ou de sua defesa e que os esclarecimentos serão apresentados ao Supremo Tribunal Federal (STF), que é o órgão adequado para a investigação.

O advogado Guilherme Suguimori Santos declarou que "Fábio não tem relação com o esquema do INSS", enfatizando que soube do envolvimento de Antônio Camilo Antunes apenas por meio da imprensa e que não foi seu sócio, prestou serviços ou recebeu valores.

Durante a sessão, o deputado Alfredo Gaspar (União-AL), relator da CPMI, defendeu a decisão de quebrar os sigilos de Lulinha, comentando sobre o uso de dinheiro de um lobista para custear a viagem do filho do presidente.

O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), sugeriu que, no mínimo, Lulinha estava fazendo lobby no governo de seu próprio pai.

A aprovação da quebra de sigilo de Lulinha resultou em tumulto na CPMI. O presidente da comissão, Carlos Viana (Podemos-MG), reuniu mais de 80 requerimentos em uma votação simbólica, que foi contestada pelos parlamentares governistas. Eles alegaram fraude na contagem e pediram ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a anulação da votação.

Alcolumbre ainda não se manifestou, mas Viana afirmou que uma possível anulação não tem respaldo no regimento. O ministro da Casa Civil, Rui Costa, sugeriu aguardar a posição do presidente do Senado.

Na mesma sessão, a CPMI ouviu a secretária de Careca do INSS, Aline Bárbara Mota de Sá Cabral, que confirmou sua responsabilidade pela compra de passagens aéreas. Embora tenha negado ter adquirido bilhetes para Lulinha, admitiu ter acesso ao cofre do empresário e entregado dinheiro a um motorista vinculado à distribuição de propina.


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