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'Vi companheiros executados ao meu lado por não cumprirem ordens': soldados russos relatam à BBC condições extremas no front da Ucrânia

Soldados russos revelam brutalidade no front da Ucrânia

Quatro soldados russos compartilharam relatos impactantes sobre as condições extremas no front da Ucrânia, onde a guerra completou quatro anos. Em entrevistas à BBC, dois deles afirmaram ter testemunhado execuções de soldados por desobediência a ordens.

Um dos soldados descreveu como viu um colega ser executado a poucos metros de distância, a mando de um comandante que foi posteriormente premiado como "Herói da Rússia".

Outro soldado, de uma unidade diferente, recordou ter visto seu comandante atirar em quatro homens que se recusaram a seguir ordens, um deles implorando: "Não atire, eu faço qualquer coisa!"

Um dos entrevistados também contou ter visto 20 corpos de soldados em uma vala, mortos por seus próprios companheiros, uma prática conhecida como "zerar", uma gíria militar russa para execução de membros da própria tropa.

No documentário The Zero Line: Inside Russia's War, os soldados relataram ter sido torturados por se recusarem a participar de ataques considerados suicidas, que são chamados de "meat storms". Essa expressão se refere a ondas sucessivas de soldados enviados para o combate, visando desgastar as forças ucranianas.

Esta é a primeira vez que soldados russos falam abertamente sobre tais atrocidades em frente às câmeras. Um dos homens, que tinha a função de contabilizar os mortos, revelou ser o único sobrevivente de um grupo de 79 soldados convocados.

Ele relatou ter sido torturado por se recusar a ir para a linha de frente, enfrentando abusos físicos e psicológicos, assim como outros que também desobedeceram e foram submetidos a choques elétricos.

Os relatos dos soldados são corroborados por informações que indicam uma violação sistemática da lei e da ordem nas fileiras russas.

Ilya, um dos soldados, destacou as condições brutais enfrentadas, incluindo execuções a queima-roupa de companheiros por parte de comandantes. Ele recorda de ter ouvido um dos homens gritar antes de ser morto, uma cena que o marcou profundamente.

As execuções não eram exclusivas a sua unidade. Dima, outro soldado, confirmou que a prática era comum e que seu comandante, reconhecido com honrarias, foi acusado por familiares de soldados mortos sob seu comando.

Dima descreveu o clima de impunidade no qual os oficiais operam, referindo-se a seu comandante como "açougueiro" devido ao número de mortes sob suas ordens.

Além das execuções, Dima também viu corpos de soldados ex-condenados sendo descartados em valas, e o tratamento desumano a que eram submetidos os que sobreviviam a essas situações.

Os relatos dos soldados revelam uma cultura de medo e brutalidade, onde a desobediência é punida com violência extrema. Ilya contou sobre torturas físicas que sofreu por se recusar a participar das missões.

Denis, um terceiro soldado, mostrou um vídeo que, segundo ele, ilustra a humilhação a que são submetidos os desertores, uma prática normalizada nas forças armadas russas.

Os homens, agora fora da Rússia, carregam cicatrizes psicológicas da guerra. Dima compartilhou que seus pesadelos são repletos de imagens horríveis, refletindo o trauma que viveram.

Ilya expressou seu amor pelo país, mas não pelo que o governo atual tem feito. Ele enfatizou que a pressão psicológica pode quebrar qualquer um, independentemente da força pessoal.

Os relatos dos soldados destacam a brutalidade e a desumanização que permeiam a guerra na Ucrânia, levantando questões sérias sobre a condição dos militares russos e a liderança de seus comandantes.


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