União Brasil – Wikipédia, a enciclopédia livre
Internacional Democrata Centrista
O União Brasil (UNIÃO) é um partido político brasileiro de centro-direita, resultado da fusão entre o Democratas (DEM) e o Partido Social Liberal (PSL), formalizada em 6 de outubro de 2021. A nova sigla adota uma postura conservadora e liberal, sendo classificada como um partido "pega-tudo", que congrega políticos de diversas opiniões.
Em fevereiro de 2022, o TSE validou a fusão e concedeu registro ao partido, que já contava com a maior bancada na Câmara dos Deputados. Em janeiro de 2026, o UNIÃO tinha 1.073.315 filiados, ocupando a sétima posição entre os maiores partidos do Brasil.
A Emenda Constitucional 97, promulgada em 2017, introduziu cláusulas de barreira que restringem o acesso de partidos ao tempo de rádio e televisão durante campanhas eleitorais, além de proibir coligações nas eleições proporcionais. Essa medida visava reduzir o número de partidos no país.
Historicamente, o DEM se destacou como um dos principais partidos da direita brasileira, sucedendo o Partido da Frente Liberal (PFL), enquanto o PSL, inicialmente uma sigla menor, cresceu significativamente após a candidatura de Jair Bolsonaro em 2018.
As primeiras especulações sobre a fusão surgiram no final de 2019, quando Jair Bolsonaro deixou o PSL. Na ocasião, ACM Neto, presidente do DEM, manifestou dúvidas sobre a união, enquanto Felipe Francischini, presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, alertou que isso poderia prejudicar ambos os partidos.
Depois das eleições municipais de 2020, as negociações foram reativadas. O Progressistas inicialmente se mostraram interessados na fusão, mas acabaram desistindo. A fusão foi impulsionada pela saída de figuras importantes do DEM, como o prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes e o ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia.
Luciano Bivar foi escolhido como presidente do novo partido, enquanto ACM Neto assumiu o cargo de secretário-geral. A fusão foi aprovada por unanimidade nas convenções nacionais de ambos os partidos, com uma convenção nacional agendada para outubro para oficializar o processo.
O nome "União Brasil" e o número 44 foram definidos no final de setembro de 2021, com base em pesquisas qualitativas. A fusão foi oficialmente aprovada em 6 de outubro de 2021.
Nas eleições de 2018, os partidos que deram origem ao UNIÃO elegeram 81 deputados federais, garantindo ao novo partido a maior bancada na Câmara na época da fusão. No entanto, em 2022, muitos deputados, especialmente aliados de Bolsonaro, deixaram a legenda, reduzindo sua representação para 46 membros em abril daquele ano.
Ainda assim, algumas lideranças ligadas a Bolsonaro permaneceram no partido, como a deputada Clarissa Garotinho e o capitão Wagner Gomes.
Potencial fusão com o Progressistas
O Progressistas foi considerado na discussão sobre a fusão entre o DEM e o PSL, mas não se juntou ao UNIÃO. Em 2022, houve tentativas de retomar as negociações de fusão, com o presidente da Câmara, Arthur Lira, anunciando que a união poderia acontecer após as eleições gerais.
Após as eleições, as negociações foram suspensas devido a rivalidades locais e à proibição estatutária do UNIÃO de participar de fusões nos primeiros cinco anos após seu registro. Assim, os partidos passaram a discutir a formação de uma federação.
O UNIÃO se comprometeu a indicar um candidato presidencial em 2022, nomeando Soraya Thronicke como candidata e Marcos Cintra como vice. Embora não tenham sido eleitos, o partido conquistou governos em Amazonas, Goiás, Mato Grosso e Rondônia, além de eleger 59 deputados federais e 7 senadores.
O partido aceitou três ministérios no governo de Lula, com Bivar afirmando que não faria oposição, mas também não se integraria à base governista. Em 2 de setembro de 2025, o UNIÃO e o PP, na federação União Progressista, anunciaram a renúncia ao governo Lula.
Potencial federação com o PP e Avante
Em 2023, o UNIÃO reabriu discussões sobre uma federação com o Progressistas e o Avante. O nome proposto para a federação foi "União Progressista". Inicialmente, o Avante não participaria, e posteriormente, as negociações com o PP foram encerradas devido à falta de acordo sobre a distribuição de diretórios estaduais.
Em março de 2025, novas negociações foram iniciadas, culminando na aprovação de uma deliberação para avançar nas discussões de uma federação. Em 28 de abril, foi anunciada a fundação da Federação União Progressista, em uma cerimônia na Câmara dos Deputados marcada para 29 de abril de 2025.
Assim como seus antecessores, o UNIÃO se posiciona entre a centro-direita e a direita no espectro político. O cientista político Vinícius Vieira descreve a fusão como uma tentativa de criar um partido liberal que atraia eleitores descontentes com Bolsonaro. O vice-presidente do PSL, Junior Bozzella, posicionou a nova sigla como parte de um polo democrático, buscando evitar a polarização entre Lula e Bolsonaro.
Na fundação do partido, foi elaborado um manifesto com quatro diretrizes principais: a defesa da democracia, o papel do Estado na garantia de direitos sociais, a valorização da liberdade individual e a importância da família na sociedade.
O manifesto também incluiu 44 princípios que orientam o partido. Na economia, embora defenda a austeridade fiscal e as privatizações, o UNIÃO se opõe à ideia de um Estado mínimo, reconhecendo a importância da atuação estatal em áreas como educação e saúde. O partido também apoia o federalismo e busca aumentar a participação de mulheres e minorias na política, além de reconhecer a necessidade de ações para mitigar as mudanças climáticas.
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