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União Brasil se aproxima do PT no Ceará e pressiona Ciro Gomes

União Brasil fortalece laços com o PT no Ceará e pressiona Ciro Gomes

A dinâmica política no Ceará para as eleições estaduais de 2026 passou por uma mudança significativa com a aproximação entre União Brasil e PT, o que pode comprometer os planos de Ciro Gomes (PSDB) de concorrer novamente ao governo estadual. De acordo com informações do jornal O Globo, o partido agora considera a possibilidade de apoiar a reeleição do governador Elmano de Freitas (PT), que está alinhado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A cúpula do União Brasil tem sido contatada tanto por Ciro quanto por aliados de Lula. Embora tenha adotado um discurso mais oposicionista no final do ano passado, incluindo a proibição de filiados em cargos no governo federal, o partido intensificou sua aproximação com o Palácio do Planalto, especialmente na região Nordeste.

A estratégia do partido visa aumentar sua bancada na Câmara dos Deputados. As decisões sobre alianças estaduais estão sendo condicionadas a esse objetivo. Nesse cenário, a presidência nacional, liderada por Antonio Rueda, acredita que uma aliança com o PT no Ceará pode oferecer melhores condições eleitorais do que um acordo com o grupo de Ciro Gomes.

Essa movimentação no Ceará reflete tendências observadas em outros estados do Nordeste. Em Pernambuco, há indícios de apoio ao prefeito do Recife, João Campos (PSB), para o governo estadual, embora existam resistências internas ligadas ao PP, que mantém aliança com a governadora Raquel Lyra (PSD), uma possível candidata à reeleição. Na Bahia, a federação se direciona para a oposição ao PT, com ACM (União Brasil) como um provável candidato contra o governador Jerônimo Rodrigues (PT).

No cenário cearense, o União Brasil ainda apresenta divisões internas. Deputados federais como Moses Rodrigues e Fernanda Pessoa, bem como parte dos prefeitos do interior filiados à legenda, defendem a aliança com o PT. Por outro lado, o deputado Danilo Forte e o ex-deputado Capitão Wagner apoiam uma composição com Ciro Gomes e o PL de Jair Bolsonaro.

A oposição já começou a discutir a divisão de cargos em uma possível chapa. A proposta inclui Ciro na disputa pelo governo, Capitão Wagner ao Senado e o ex-prefeito Roberto Cláudio (União Brasil) ocupando as demais posições majoritárias.

No início de fevereiro, Ciro participou de um jantar com Antonio Rueda e o presidente do PP, Ciro Nogueira. O encontro ocorreu na casa de Danilo Forte, que comentou: “Esse apoio foi discutido em um jantar que fiz em minha casa no início do mês”. Apesar das articulações, o apoio formal da federação ainda não está garantido.

Dirigentes do partido avaliam que Ciro precisa demonstrar sua capacidade de formar uma chapa competitiva para a Câmara dos Deputados, superando o grupo alinhado ao PT. O ex-ministro indicou a intenção de filiar seus principais aliados ao União Brasil, em vez do PSDB, como forma de consolidar o acordo, mas a direção aguarda essa movimentação antes de tomar uma decisão.

No que diz respeito à federação e ao cenário presidencial, o PP no Ceará é majoritariamente favorável ao apoio ao PT e a Lula, mas a decisão pode ser influenciada pelo União Brasil, que possui maior representação federal. A formação oficial da federação entre União e PP ainda depende de uma manifestação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), prevista para o final do mês.

Em nível nacional, a federação ainda não definiu uma posição para a eleição presidencial. Há uma tendência de neutralidade, embora alianças regionais com o PT possam ser autorizadas, mesmo em caso de apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Enquanto as negociações progridem, Ciro Gomes evita confirmar sua candidatura. Em um evento com aliados da oposição no dia 7, ele afirmou: “É o começo de uma caminhada que, no fim, vai dar uma decisão se eu sou candidato ou não. Mas antes eu tenho que conversar, e a conversa é aqui dentro, porque tem uma briga. Meu juízo dizendo para eu não ser candidato e meu coração já todo balançado para eu ser candidato”.

Apesar de suas declarações, o PSDB descarta a possibilidade de Ciro ficar fora da disputa, mantendo a expectativa de que ele participe da corrida pelo governo do Ceará em 2026.


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