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“Última chance de diplomacia”: Como acabou a rodada de negociações entre Irã e EUA?

Última chance de diplomacia: Fim das negociações entre Irã e EUA

26/02/2026 17h43

Os negociadores dos Estados Unidos e do Irã concluíram, nesta quinta-feira, 26, a terceira rodada de diálogos, que durou várias horas, com “progressos significativos”, conforme declarou o ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Al Busaidi. As conversas serão retomadas na próxima semana, na Áustria.

Al Busaidi afirmou, em sua conta na rede X, que “terminamos o dia com progressos significativos na negociação entre Estados Unidos e Irã”, acrescentando que “discussões em nível técnico ocorrerão em Viena”. Até o momento, o governo americano não se pronunciou sobre o assunto.

Teerã exige reconhecimento de seu programa pacífico e o fim das sanções, enquanto Washington considera a recusa em discutir mísseis balísticos como um grande obstáculo.

A reunião desta quinta-feira era vista como a última chance para a diplomacia, especialmente com o aumento da pressão americana, que mobilizou uma frota de aeronaves e navios de guerra na região.

O presidente dos EUA, Donald Trump, busca um acordo que restrinja o programa nuclear iraniano, vendo uma oportunidade em meio às dificuldades internas do Irã, que enfrenta crescente dissidência após protestos em todo o país no mês passado.

Teerã, por sua vez, insiste em continuar o enriquecimento de urânio, mesmo após os ataques ordenados por Trump em junho, que atingiram três instalações nucleares da República Islâmica, em um contexto de uma guerra devastadora de 12 dias no ano passado.

O Irã advertiu que, em caso de um ataque americano, todas as bases militares dos EUA no Oriente Médio seriam alvos legítimos, colocando em risco dezenas de milhares de militares americanos. Além disso, o país ameaçou atacar Israel, o que suscita temores de um conflito regional.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou em entrevista ao jornal India Today que “não haveria vitória para ninguém – seria uma guerra devastadora”. Ele acrescentou que, devido à dispersão das bases americanas pela região, um conflito poderia envolver todo o Oriente Médio, criando um cenário alarmante.

As negociações em Genebra representam a terceira rodada de diálogos desde a guerra de junho. Araghchi e Steve Witkoff, bilionário do setor imobiliário e aliado próximo de Trump, que atua como enviado especial do presidente para o Oriente Médio, trocaram mensagens e realizaram conversas no ano passado, interrompidas pela ofensiva israelense contra o Irã.

As discussões são mediadas por Omã, um tradicional interlocutor entre o Irã e o Ocidente. Após sua chegada a Genebra na noite de quarta-feira, Araghchi se reuniu com Al Busaidi para revisar propostas para um acordo em torno do programa nuclear, com base nos princípios estabelecidos na rodada anterior.

Nesta nova fase, Trump pressiona para que o Irã interrompa totalmente o enriquecimento de urânio e aceite discutir o programa de mísseis balísticos e o apoio iraniano a forças militantes regionais. Contudo, Teerã afirma que as negociações devem se concentrar apenas nas questões nucleares.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, comentou que o Irã está “sempre tentando reconstruir elementos” de seu programa nuclear. Embora Teerã declare que não está enriquecendo urânio atualmente, bloqueou o acesso de inspetores da AIEA aos locais afetados pelos ataques americanos. Imagens de satélite sugerem atividade em duas dessas áreas, indicando tentativas de avaliação de danos e possível recuperação de material.

O Ocidente e a AIEA afirmam que o Irã manteve um programa de armas nucleares até 2003. Antes dos ataques de junho, o país estava enriquecendo urânio a até 60% de pureza, um pequeno passo em direção aos 90% necessários para fabricar armas.

Agências de inteligência dos EUA acreditam que o Irã ainda não tenha retomado um programa de armas, mas “realizou atividades que o colocam em melhor posição para produzir um dispositivo nuclear, se assim desejar”. Embora insista na natureza pacífica de seu programa, Teerã tem ameaçado buscar a bomba nos últimos anos.

“O princípio é muito simples: o Irã não pode ter uma arma nuclear”, afirmou o vice-presidente dos EUA, JD Vance, a jornalistas na Casa Branca. Ele destacou que Trump está “enviando esses negociadores para tentar resolver esse problema” de forma diplomática, mas também mencionou que o presidente possui “outras opções”.

Não está claro se ataques limitados seriam suficientes para forçar concessões iranianas. Uma tentativa de remover a liderança do país poderia levar os EUA a uma campanha mais longa e complexa, sem sinais de planejamento para o que viria a seguir.

Além disso, existem dúvidas sobre os impactos regionais de qualquer ofensiva. Teerã poderia retaliar contra aliados dos EUA no Golfo Pérsico ou contra Israel. Em meio a esses temores, os preços do petróleo subiram recentemente, com o barril do Brent em torno de US$ 70. Durante a rodada anterior de tensões, o Irã havia interrompido temporariamente o tráfego no Estreito de Ormuz, uma passagem estratégica onde transita cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo.

Imagens de satélite obtidas nos dias 24 e 25, analisadas pela Associated Press, mostram que navios americanos normalmente atracados no Bahrein, sede da Quinta Frota da Marinha dos EUA, estavam todos no mar.

Questionada sobre a situação, a frota encaminhou as perguntas ao Comando Central das Forças Armadas dos EUA, que se recusou a comentar. Antes de um ataque iraniano ao Catar, em junho, a frota já havia dispersado suas embarcações como medida preventiva.


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