Trump pode replicar no Irã a solução que conseguiu na Venezuela após prisão de Maduro?
Trump pode replicar no Irã a solução que conseguiu na Venezuela após prisão de Maduro?
"Tenho que estar envolvido em sua nomeação, como com Delcy na Venezuela", disse o presidente dos EUA nesta quinta-feira (5/3), dias depois de definir a atual situação na Venezuela como "o cenário perfeito" para o Irã.
No entanto, executar de forma bem-sucedida essa estratégia para o Irã apresenta desafios importantes: é muito mais populoso (cerca de 92 milhões de habitantes, ante os 28 milhões na Venezuela) e conta com um Exército mais poderoso, uma elite clerical fundamentalista e uma sociedade heterogênea na qual convivem diversas correntes e identidades sociais e religiosas, incluindo minorias separatistas.
Os EUA poderiam replicar no Irã a sua fórmula de transição de poder aplicada na Venezuela?
"Não acredito que a estratégia da Venezuela seja realista para o Irã", explica o analista iraniano-americano Sina Toosi, pesquisador principal do instituto de pesquisas Center for International Policy com sede em Washington, em entrevista à BBC News Mundo (serviço de notícias em espanhol da BBC).
Na Venezuela, aponta Toosi, os americanos "eliminaram a principal figura e chegaram a um acordo com o restante do regime, enquanto no caso iraniano acabaram com Khamenei, mas o restante do regime continua no poder. Não há nenhum acordo com eles e o país, seu governo e seu Exército continuam contra-atacando de forma feroz".
A estratégia de Trump para replicar a solução que conseguiu na Venezuela após a prisão de Maduro pode ser vista como uma tentativa de se aproximar do regime iraniano, mas é fundamental reconhecer que os resultados são incompatíveis com a realidade política e econômica do país.
"O Irã não é um país que possa ser 'reformado' ou 'modernizado' de forma simples, como se fosse um país de democracia e liberdade", afirma Toosi. "Ele é um sistema complexo, baseado na autoridade clerical xiita e em uma sociedade heterogênea, com diversas correntes e identidades sociais e religiosas."
Além disso, a República Islâmica do Irã é um ator central no Oriente Médio, com uma rede de aliados e milícias em diferentes países, o que de fato já ampliou o alcance da guerra em curso.
"O Irã pode causar muito mais problemas e tem muito mais capacidade de influência em sua região do que a Venezuela tinha, o que torna muito mais difícil uma mudança de regime ou mesmo uma transição", afirma Toosi.
A geopolítica do Irã também é fundamental para entender a estratégia de Trump. "O Irã está no centro da arena no Oriente Médio, com uma rede de aliados e milícias em diferentes países, o que de fato já ampliou o alcance da guerra em curso", explica Toosi.
Os EUA poderiam tentar negociar um acordo com o Irã para resolver a situação política e econômica do país, mas é fundamental reconhecer que a realidade política e econômica do Irã é muito mais complexa do que a de qualquer outro país.
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