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Trump invadiu a Venezuela – mas a mídia chama de operação

Grande mídia busca minimizar ações de Trump na Venezuela

A cobertura da imprensa estadunidense sobre os recentes eventos na Venezuela tem sido marcada por eufemismos que buscam suavizar a gravidade das ações de Donald Trump. O ataque ao país sul-americano tem sido rotulado como uma "operação", enquanto termos como "guerra" ou "invasão" são evitados.

Nos últimos meses, Trump protagonizou ações que podem ser claramente interpretadas como atos de guerra. Isso inclui assassinatos, sequestros de navios e um bloqueio naval. A situação culminou em uma invasão ao território venezuelano, onde prédios foram bombardeados e o presidente Nicolás Maduro foi sequestrado.

Apesar da gravidade desses atos, a grande mídia não os classificou como invasão ou golpe de estado. Essa falta de terminologia adequada sugere que o presidente pode agir sem enfrentar críticas significativas da imprensa, que frequentemente adota uma postura de apoio ao governo.

Na cobertura do ataque, veículos como CBS News e Wall Street Journal se referiram ao evento como uma "escalada" em uma "campanha de pressão", enquanto a CNN descreveu como uma "operação" ligada ao combate ao narcotráfico.

A imprensa americana tem se esforçado para justificar as ações de Trump, utilizando uma linguagem que distorce a realidade. Um exemplo é a menção a "sanções internacionais" contra o petróleo venezuelano, quando, na verdade, apenas sanções dos EUA estão em vigor.

Além disso, alegações de que o sequestro de navios seria legal ao abrigo da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar foram feitas, ignorando o fato de que os EUA nunca ratificaram essa convenção. O resultado é uma narrativa que trata os atos unilaterais dos EUA como se fossem respaldados pelo direito internacional.

A cobertura também tem evitado mencionar que a Venezuela não tem obrigação de seguir as leis dos EUA. Ao optar por essa linguagem, a grande mídia não apenas desconsidera as normas internacionais, mas também contribui para a normalização de ações que deveriam ser vistas como agressões.

Esse padrão de cobertura não é novo. Durante a invasão da Ucrânia por Vladimir Putin, a imprensa utilizou terminologias claras para descrever a agressão. A diferença na abordagem evidencia que a mídia pode, sim, reconhecer atos de guerra quando se trata de outros líderes.

Embora algumas opiniões divergentes tenham surgido, a maioria da cobertura tem perpetuado a narrativa do governo. O New York Times e o Washington Post, por exemplo, foram informados antecipadamente sobre a invasão, mas optaram por não dar maior destaque ao evento.

Enquanto isso, a grande mídia parece estar em sintonia com uma administração que não aceita críticas. O uso de termos como "pressão" em vez de "ameaça" e "operação" em vez de "invasão" revela um alinhamento com a retórica oficial.

Por fim, a falta de uma linguagem adequada e a escolha de eufemismos indicam uma transcrição passiva das narrativas do governo, em vez de um jornalismo crítico. A cobertura do ataque à Venezuela evidencia a necessidade de uma imprensa que não hesite em chamar as coisas pelo que realmente são, em vez de se submeter às conveniências políticas.


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