Trump instrui agências federais a interromperem trabalho com a Anthropic
Trump ordena suspensão do uso da tecnologia da Anthropic por agências federais
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, determinou que todas as agências federais interrompam o uso da tecnologia da Anthropic, uma empresa de inteligência artificial americana.
O anúncio foi feito em uma publicação no Truth Social na sexta-feira (27), onde Trump afirmou que as agências têm um prazo de seis meses para eliminar gradualmente os produtos da Anthropic.
O governo havia avisado à Anthropic que a empresa teria até às 17h01 (horário do leste dos EUA) do mesmo dia para atender às exigências do Pentágono, sob pena de ser rotulada como um “risco para a cadeia de suprimentos”, um status geralmente associado a empresas vistas como extensões de adversários estrangeiros.
O Pentágono, que atualmente utiliza o sistema de IA Claude da Anthropic em redes classificadas, deseja usá-lo para "todos os fins legais". Entretanto, a Anthropic impôs duas condições que não podem ser negociadas: a proibição do uso do Claude em armas autônomas e em vigilância em massa de cidadãos americanos.
Na quinta-feira (26), a Anthropic reafirmou sua posição, afirmando que não cederá. O CEO da empresa declarou em um comunicado que “as ameaças não mudam nossa posição: não podemos, em sã consciência, acatar o pedido deles”.
Emil Michael, subsecretário de Pesquisa e Engenharia do Pentágono, comentou em entrevista à Bloomberg que estavam “na fase final” de um acordo com a Anthropic que “atenderia, na prática, ao que eles queriam” quando a declaração foi feita.
O Pentágono afirma que não deseja usar IA para nenhum dos fins mencionados e que precisa da liberdade para utilizar a tecnologia que está licenciando. O porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, escreveu no X que o pedido é “simples e sensato” e visa evitar que a Anthropic coloque em risco operações militares críticas.
A situação se intensificou em uma reunião no Pentágono entre o Secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, e o CEO da Anthropic, Dario Amodei. Embora a reunião tenha sido cordial, os oficiais do Pentágono ameaçaram cancelar o contrato de US$ 200 milhões da Anthropic, além de impor uma designação que poderia impactar seus resultados financeiros.
O Claude, da Anthropic, é o primeiro modelo de IA a operar nas redes classificadas das Forças Armadas. A empresa firmou um contrato de até US$ 200 milhões com o Pentágono no ano anterior, enquanto outras grandes empresas de IA, como a OpenAI, firmaram contratos apenas para redes não classificadas.
A política de uso da Anthropic inclui proibições contra vigilância em massa e armas autônomas.
Gregory Allen, consultor sênior do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, ressaltou que, apesar do apreço do Departamento de Defesa pela Anthropic, os oficiais não desejam ser limitados pelas políticas da empresa. Um oficial do Pentágono comentou que “não se pode conduzir operações táticas por exceção”.
Romper com a Anthropic pode tornar-se um desafio para o Pentágono, já que seria necessário substituir sistemas que utilizam o Claude. Embora o sistema de IA Grok, de Elon Musk, tenha sido aprovado para uso confidencial, não é considerado tão avançado quanto o Claude.
Para a Anthropic, perder um contrato de US$ 200 milhões não seria uma ameaça existencial, já que a empresa foi avaliada em cerca de US$ 380 bilhões. O maior risco é ser rotulada como um risco na cadeia de suprimentos, o que afetaria sua base de clientes corporativos, muitos dos quais têm contratos com o Pentágono.
Adam Connor, vice-presidente de política tecnológica do Center for American Progress, alertou que essa situação pode fazer com que uma parte significativa dos clientes da Anthropic desapareça.
O CEO da Nvidia, Jensen Huang, afirmou esperar que um acordo seja alcançado entre o Pentágono e a Anthropic, mas destacou que, caso contrário, não será o fim do mundo, pois existem outras empresas de IA disponíveis.
O Pentágono também considera a possibilidade de obrigar a Anthropic a cooperar por meio da Defense Procurement Act (DPA), uma lei de 1950 que concede ao presidente autoridade significativa sobre indústrias nacionais. No entanto, não está claro como isso se aplicaria enquanto a empresa for considerada um risco na cadeia de suprimentos.
A disputa com a Anthropic serve como um alerta para outras empresas de IA que desejam vender seus serviços ao governo. Connor enfatizou que a situação envia uma mensagem clara para essas empresas sobre a importância de não impor restrições ao uso da IA.
Se o Pentágono estivesse apenas insatisfeito com as condições da Anthropic, poderia rescindir o contrato e buscar outra empresa, mas o que realmente deseja é continuar utilizando a tecnologia da Anthropic, utilizando todas as influências possíveis para isso.
*Chris Isidore, da CNN, contribuiu com esta matéria.*
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