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Trump indica crítico para supervisionar relações entre Brasil e EUA

Nomeação de Crítico de Lula para Cargo nos EUA

O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, escolheu um crítico do atual governo brasileiro para uma posição chave que afetará a política americana em relação ao Brasil. Essa decisão indica que as relações entre as duas principais democracias do Hemisfério Ocidental permanecem complexas, mesmo após uma recente reaproximação.

Darren Beattie, que já ocupa o cargo de secretário assistente interino de Estado para assuntos educacionais e culturais, foi nomeado para um cargo sênior como assessor responsável por supervisionar questões relacionadas ao Brasil, conforme informações de três fontes que preferiram não se identificar.

Um alto funcionário do Departamento de Estado dos EUA confirmou a nomeação, destacando que Beattie "atua atualmente como assessor sênior para a Política do Brasil".

Recentemente, o Brasil não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da Reuters sobre a nomeação.

Beattie foi demitido em 2018 de seu cargo como redator de discursos na Casa Branca, após participar de um evento com nacionalistas brancos. Em agosto, ele gerou controvérsia ao descrever, em uma postagem no X, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, como "o principal arquiteto do complexo de censura e perseguição dirigido contra (o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro)". Este comentário levou o Itamaraty a convocar o diplomata americano em Brasília para esclarecimentos.

Moraes presidiu o processo criminal contra Bolsonaro, que foi condenado por tentar anular a eleição presidencial de 2022. Atualmente, Bolsonaro cumpre uma pena de 27 anos de prisão. Os EUA impuseram sanções a Moraes em julho, alegando que ele estaria autorizando detenções arbitrárias e restringindo a liberdade de expressão.

Após as sanções, Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal e filho de Bolsonaro, agradeceu a Beattie por seu apoio em uma postagem no X. O irmão de Eduardo, Flávio Bolsonaro, é um dos principais concorrentes de Luiz Inácio Lula da Silva na eleição presidencial de outubro.

Relações Conturbadas com o Brasil

Apesar de Beattie ter trabalhado para combater o que o governo Trump considera "censura indevida" em outros países, sua nova função indica um foco particular no Brasil. Isso sugere que Washington ainda se preocupa com a liberdade de expressão no país e que as tensões com o governo Lula não foram totalmente resolvidas.

Dois funcionários do governo brasileiro expressaram à Reuters que ainda não estavam cientes da nomeação de Beattie e que a influência dele nas relações bilaterais dependerá de seu poder interno. Eles manifestaram apreensão devido às declarações passadas de Beattie.

As relações entre Washington e Brasília esfriaram após a posse de Trump, com o governo dos EUA impondo sanções a autoridades brasileiras e tarifas sobre produtos do Brasil, em parte devido ao que Trump chamou de perseguição injusta contra Bolsonaro. No entanto, os laços melhoraram após uma breve reunião entre Lula e Trump na Assembleia Geral da ONU em setembro, onde Trump afirmou que ambos tiveram uma química imediata. No final do ano, o governo Trump reduziu tarifas sobre alguns produtos brasileiros e suspendeu as sanções contra Moraes.

O próximo teste significativo na relação entre Trump e Lula pode ocorrer nas próximas semanas, já que Lula planeja visitar Washington em março. O presidente brasileiro tem se manifestado contra as operações dos EUA, como a captura do ex-líder venezuelano Nicolás Maduro e os esforços para restringir o fluxo de petróleo para Cuba.

Além de sua nova função focada no Brasil, Beattie é presidente do Instituto da Paz dos EUA, uma instituição nacional financiada pelo Congresso, encarregada de atuar na resolução de conflitos globais. Em dezembro, o governo Trump renomeou a entidade para "Instituto da Paz Donald J. Trump", embora essa alteração possa não ter respaldo legal.

Durante a campanha presidencial de 2024, Beattie insinuou que a comunidade de inteligência dos EUA poderia estar envolvida em tentativas de assassinato contra Trump.


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