Trump escolhe autoridade de extrema-direita para posto-chave para relação com Brasil
Nomeação de Beattie para cargo estratégico nas relações EUA-Brasil
27/02/2026 10h43
Atualizado há 18 minutos
O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, designou um crítico de extrema-direita do atual governo brasileiro para uma posição que afetará a política dos EUA em relação ao Brasil. Esse movimento indica que as relações entre as duas maiores democracias do Hemisfério Ocidental permanecem frágeis, apesar de uma recente reaproximação.
Darren Beattie, que também ocupa o cargo de secretário assistente interino de Estado para assuntos educacionais e culturais, foi selecionado para um cargo de assessor responsável por supervisionar questões ligadas ao Brasil, conforme revelaram três fontes anônimas a respeito de mudanças internas.
A nomeação foi confirmada por um alto funcionário do Departamento de Estado dos EUA, que declarou que Beattie "atua atualmente como assessor sênior para a Política do Brasil".
O Ministério das Relações Exteriores não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
Em agosto, Beattie — demitido de seu cargo como redator de discursos da Casa Branca em 2018 por sua participação em um evento com nacionalistas brancos — causou um incidente diplomático ao se referir ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, como “o principal arquiteto do complexo de censura e perseguição dirigido contra (o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro)” em uma postagem no X.
O Itamaraty convocou o principal diplomata dos EUA em Brasília para discutir os comentários.
Moraes presidiu o processo criminal contra Bolsonaro, que foi condenado por tentar anular a eleição presidencial de 2022 e atualmente cumpre uma pena de 27 anos de prisão.
Os EUA impuseram sanções a Moraes em julho, com membros do governo Trump acusando-o de autorizar detenções arbitrárias e suprimir a liberdade de expressão em casos relacionados ao plano golpista de 2022.
Após o anúncio das sanções, Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal e filho do ex-presidente, agradeceu a Beattie por seus esforços em uma postagem no X. O irmão de Eduardo, Flávio Bolsonaro, é visto como um dos principais concorrentes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de outubro.
Embora Beattie tenha trabalhado para combater a censura em outros países, sua nova nomeação indica um foco especial no Brasil e sugere que Washington ainda mantém preocupações sobre a liberdade de expressão no país, sem ter selado completamente a paz com o governo Lula.
Dois funcionários do governo brasileiro afirmaram não estar cientes da nomeação de Beattie e expressaram apreensão quanto ao impacto que ele pode ter nas relações bilaterais, dependendo do poder que receber.
As relações entre Washington e Brasília esfriaram após a posse de Trump no ano passado. Além de impor sanções a autoridades brasileiras, os EUA também aplicaram tarifas sobre produtos do Brasil, em parte devido ao que Trump chamou de "perseguição injusta contra Bolsonaro".
Entretanto, os laços melhoraram após uma breve reunião entre Lula e Trump na Assembleia-Geral da ONU em setembro, onde o presidente dos EUA afirmou que ambos tiveram uma química imediata. No final do ano, o governo Trump reduziu tarifas sobre alguns produtos brasileiros e suspendeu as sanções contra Moraes.
O próximo grande teste na relação entre Trump e Lula pode ocorrer nas próximas semanas, já que Lula planeja visitar Washington em março.
Lula tem se posicionado como crítico da operação norte-americana que capturou o ex-líder venezuelano Nicolás Maduro e dos esforços dos EUA para interromper o fluxo de petróleo para Cuba.
Além de sua nova função voltada ao Brasil e de seu trabalho como chefe interino do Escritório de Assuntos Educacionais e Culturais do Departamento de Estado, Beattie é presidente do Instituto da Paz dos EUA, uma instituição financiada pelo Congresso e incumbida de atuar na resolução de conflitos globais.
Em dezembro, o governo Trump renomeou a entidade para “Instituto da Paz Donald J. Trump”, embora a legalidade dessa mudança ainda seja questionável.
Durante a campanha presidencial de 2024, Beattie sugeriu que a comunidade de inteligência dos EUA poderia estar por trás de tentativas de assassinato contra Trump. Ele também enfrentou acusações de racismo e sexismo ao afirmar que “homens brancos competentes devem estar no comando se você quiser que as coisas funcionem”.
← Voltar para as notícias