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Trump diz que Irã retomou busca por “ambições nucleares sinistras”

Trump afirma que Irã retoma busca por "ambições nucleares sinistras"

25/02/2026 06h33
Atualizado há 8 minutos

O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que o Irã está reatando seu programa nuclear enquanto mantém negociações com Washington, levantando especulações sobre a possibilidade de novos ataques militares em breve.

Durante seu discurso no Estado da União na noite de terça-feira (24), Trump afirmou que as autoridades iranianas estão “novamente perseguindo suas ambições sinistras”, após os ataques aéreos dos EUA que devastaram o programa nuclear do país no ano anterior.

“Eles querem fazer um acordo, mas ainda não ouvimos aquelas palavras secretas: ‘Nunca teremos uma arma nuclear’”, ressaltou. “Nós destruímos tudo, e eles querem começar de novo.”

Trump também aproveitou para reforçar suas alegações sobre fraude nas próximas eleições, pressionando o Congresso para aprovar um projeto que visa impedir votos de imigrantes, uma proposta que os Democratas afirmam que pode excluir milhões do processo eleitoral.

O Irã defende há tempos que seu programa nuclear tem objetivos pacíficos. Em uma publicação nas redes sociais na mesma terça-feira, o chanceler iraniano Abbas Araghchi reiterou que o país “sob nenhuma circunstância jamais desenvolverá uma arma nuclear”.

Nas últimas semanas, Trump intensificou o reforço militar no Oriente Médio. Seu enviado, Steve Witkoff, e o genro Jared Kushner participarão de uma nova rodada de negociações com autoridades iranianas em Genebra na quinta-feira.

O presidente alertou que está considerando várias opções para ataques militares caso as conversas não avancem, embora declare preferir um acordo. Trump e membros de seu governo têm apresentado interpretações divergentes sobre o que exatamente buscam em um novo entendimento com Teerã.

“Um acordo está ao alcance, mas apenas se a diplomacia for priorizada”, comentou Araghchi.

Em 2015, o Irã assinou um acordo com os EUA e potências globais comprometendo-se a não buscar armas nucleares. Trump retirou os EUA do pacto em seu primeiro mandato, argumentando que ele não oferecia salvaguardas suficientes contra uma possível corrida armamentista. Antes dos ataques em junho, o Irã já possuía material altamente enriquecido suficiente para produzir rapidamente até uma dúzia de ogivas, caso decidisse militarizar seu programa nuclear.

Os inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica não verificam o estado do estoque iraniano de urânio próximo ao grau militar nem avaliam os danos nas instalações de enriquecimento há mais de oito meses.

Embora as negociações se concentrem na questão nuclear, Trump também mencionou o programa de mísseis balísticos do Irã, suas atividades terroristas e o apoio a grupos aliados que ameaçam os EUA e seus parceiros na região.

Mais cedo, o secretário de Estado Marco Rubio e o diretor da CIA, John Ratcliffe, informaram líderes do Congresso sobre a situação do Irã, em meio a crescentes pressões para que a Casa Branca explique o motivo do reforço militar, que incluiu porta-aviões, destróieres com mísseis guiados, caças e aviões-tanque.

A reunião com o chamado “Grupo dos Oito” durou cerca de uma hora, conforme revelou uma fonte anônima familiarizada com as discussões.

Esse grupo, que trata de temas de inteligência altamente confidenciais com o Executivo, reúne os líderes republicanos e democratas dos comitês de inteligência da Câmara e do Senado, além dos líderes da maioria e da minoria em ambas as Casas.

“Cabe ao presidente explicar quais são os objetivos do nosso país, quais são os nossos interesses e como vamos proteger os interesses americanos na região”, afirmou o senador Mark Warner, principal democrata no Comitê de Inteligência do Senado, a jornalistas após o encontro.

“Isso não é algo que este governo tenha feito com frequência”, concluiu.


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