bbci

Trump defende tarifas no Congresso e diz que prefere 'diplomacia' para lidar com o Irã

Trump defende tarifas e opta por 'diplomacia' com o Irã

Na noite de terça-feira, 24 de fevereiro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizou seu discurso anual de Estado da União em Washington.

Esse evento é uma tradição política onde o presidente apresenta as prioridades do governo e faz um balanço das ações realizadas até o momento.

O discurso foi especialmente significativo devido às eleições legislativas programadas para o segundo semestre, em um ano que começa com Trump atento à sua popularidade, que, segundo uma pesquisa da CNN, está em torno de 36%, enquanto um levantamento do Washington Post aponta cerca de 39%.

Durante sua fala, Trump criticou a Suprema Corte dos EUA, afirmando que as tarifas impostas pelo governo sobre produtos de outros países geraram uma "reviravolta econômica impressionante" e que elas continuarão.

Ele declarou que prefere lidar com as tensões relacionadas ao Irã através da diplomacia, mas não hesitou em avisar que não permitirá que o país desenvolva armas nucleares.

Na sexta-feira anterior, 20 de fevereiro, a Suprema Corte havia derrubado tarifas que estavam em vigor desde o ano passado, aplicadas pelo presidente contra diversos parceiros comerciais.

No fim de semana, Trump anunciou a implementação de uma nova tarifa de 15% sobre produtos importados, com validade de apenas 150 dias.

O presidente descreveu a decisão da Corte como "decepcionante" e "lamentável", dirigindo-se diretamente a quatro dos nove juízes presentes.

Apesar disso, ele garantiu que "as tarifas permanecerão em vigor sob bases legais alternativas totalmente aprovadas", acrescentando que essas tarifas poderiam, um dia, substituir o imposto de renda dos americanos.

Trump argumentou que as tarifas pagas por países estrangeiros poderiam aliviar o fardo financeiro dos cidadãos.

O Brasil é um dos países que mais se beneficiaram com a decisão da Suprema Corte. Um estudo do Global Trade Alert (GTA) revelou que o país é o terceiro no mundo com maior redução nas tarifas de exportação para os EUA.

Antes da decisão, produtos brasileiros tinham uma taxa média de 26,33%, a 17ª maior do mundo. Com a nova situação, a expectativa é que a taxa caia para 12,77%, fazendo com que o Brasil passe da 17ª para a 125ª posição entre os países mais taxados pelos EUA.

Trump também falou sobre as relações com o Irã, enfatizando a importância de resolver a questão nuclear por meio da diplomacia, mas reafirmando que não permitirá que o país tenha armas nucleares.

Ele comentou ainda sobre a Venezuela, mencionando que os EUA receberam mais de 80 milhões de barris de petróleo do país sul-americano, destacando um aumento na produção de petróleo nos EUA.

Após a prisão de Nicolás Maduro, Trump anunciou que o governo interino da Venezuela entregaria entre 30 milhões e 50 milhões de barris de petróleo aos EUA, com a garantia de que a receita seria utilizada em benefício dos povos americano e venezuelano.

O Departamento de Energia dos EUA confirmou o início das negociações para a compra do petróleo venezuelano, envolvendo grandes empresas de comercialização e bancos para garantir a execução do acordo.


← Voltar para as notícias