Tragédias ambientais e humanas a cada inverno ou verão e a política pré-histórica
Tragédias ambientais e humanas em Roraima: uma análise crítica
As mudanças climáticas têm gerado um cenário de tragédias ambientais e humanas em Roraima, especialmente durante os períodos de seca e chuvas. Neste início de 2026, o Estado enfrenta queimadas criminosas que se intensificam, enquanto cientistas alertam sobre a necessidade de preparação para as condições climáticas extremas que se aproximam.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) divulgou previsões de chuvas acima do esperado para a região Norte e Nordeste a partir de março, associadas a uma Zona de Convergência Intertropical, que deve aumentar a umidade e provocar chuvas significativas.
Entretanto, é fundamental analisar criticamente essa realidade. A tendência de culpar apenas a natureza pelos desastres ignora a responsabilidade dos políticos e a eficiência das políticas públicas. O garimpo ilegal é um exemplo claro de como governos têm utilizado a força da natureza, aliada à falta de recursos e ao isolamento da Amazônia, como justificativa para a inação.
Por outro lado, o atual governo demonstrou que, com vontade política e comprometimento, é possível utilizar tecnologia e forças federais para combater a garimpagem na Terra Indígena Yanomami.
No que diz respeito às queimadas, a evolução tecnológica, como o uso de drones e satélites, permite um monitoramento eficaz das regiões afetadas e pode antecipar ações em períodos de cheias, evitando mais tragédias.
É crucial notar que as tragédias em Roraima não são apenas consequências naturais, mas também refletem uma política arcaica que se beneficia da manutenção desse estado de calamidade. A recorrência de secas severas, incêndios e chuvas torrenciais alimenta a narrativa de "estado de calamidade", permitindo que o Estado e municípios acessem recursos emergenciais sem a devida fiscalização.
A manutenção de pontes de madeira em todo o Estado, que se deterioram rapidamente, é um exemplo dessa política que drena recursos públicos. Os gastos com manutenção são contínuos, enquanto outras necessidades emergenciais são negligenciadas.
O que ocorreu durante as eleições de 2022 é emblemático. Vários municípios receberam verbas emergenciais sob a justificativa de mitigar os efeitos das chuvas, mas as obras prometidas nunca foram concretizadas, e a destinação dos recursos permanece obscura.
Dentro dos processos de cassação do governador, a destinação de recursos emergenciais para prefeitos aliados foi um dos motivos relevantes. Essa abordagem revela uma política que visa manter a situação atual, semelhante à distribuição de emendas parlamentares, que também se tornou um tema recorrente de escândalos.
Portanto, é essencial que a população mantenha um olhar crítico sobre cada tragédia, evitando tratar esses eventos como normais ou como um desígnio da natureza. Incêndios, estradas destruídas e pontes em ruínas não são meras fatalidades. A política arcaica presente no Estado tem interesses que lucram com essa situação, enquanto a população sofre as consequências.
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