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Testes de urina em chimpanzés confirmam consumo diário de álcool

Chimpanzés consomem álcool diariamente, equivalente a uma latinha de cerveja, através de frutas fermentadas. Um estudo recente confirmou essa ingestão por meio da análise de urina, levantando questões intrigantes sobre a evolução da nossa própria relação com bebidas alcoólicas.

Principais Tópicos

Chimpanzés ingerem álcool diariamente em quantidade equivalente a uma latinha de cerveja.

A ingestão ocorre naturalmente por meio de frutas fermentadas em sua dieta.

Um novo estudo confirmou o consumo de álcool analisando amostras de urina de chimpanzés selvagens.

A pesquisa investiga se o álcool afeta os macacos e se eles buscam frutas com maior teor alcoólico.

O estudo busca entender se a nossa preferência por álcool tem raízes evolutivas comuns com os primatas.

Detalhes do Estudo

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define que uma dose padrão de bebida contém 10 gramas de etanol puro. Em cervejas, isso representa uma latinha de 285 ml, pouco menos que o padrão brasileiro de 350 ml. Embora não exista uma dose segura de álcool, os chimpanzés consomem cerca de 14 gramas por dia, equivalente a um pouco mais de uma latinha de cerveja brasileira.

Os macacos não frequentam bares, mas consomem álcool através de frutas que já fazem parte de sua dieta. As polpas dessas frutas conseguem fermentar, atingindo concentrações de até 0,3% de álcool. Em média, os chimpanzés ingerem 4,5 kg dessas frutas diariamente.

Os dados são provenientes de um estudo realizado em 2025 pela Universidade da Califórnia em Berkeley, que analisou a ingestão de álcool em chimpanzés com base na fermentação de cerca de 20 frutas potencialmente alcoólicas em suas dietas. Os cientistas calcularam a quantidade aproximada de álcool que os chimpanzés consomem junto com sua alimentação habitual.

Contudo, faltavam evidências concretas sobre a quantidade de álcool que realmente circulava no corpo desses animais. Para isso, era necessário um método para medir o álcool no sangue dos chimpanzés, algo complicado, já que esses animais selvagens não são facilmente controláveis.

Coleta de Amostras

A resposta estava na urina. Em um novo estudo publicado no jornal Biology Letters, os pesquisadores coletaram amostras de urina de chimpanzés em um parque de conservação em Uganda. Utilizando testes de tira reagente, conseguiram medir o consumo de álcool em cada animal, confirmando as medições anteriores.

O processo de coleta levou 11 dias. Inicialmente, os pesquisadores observaram os hábitos dos macacos. Após as refeições, eles costumavam urinar no mesmo lugar. Com a ajuda da pesquisadora Sharifah Namaganda, o pesquisador Aleksey Maro criou um dispositivo improvisado para coleta discreta, utilizando uma sacola plástica pendurada em um galho.

Além disso, amostras também foram obtidas de poças no chão e folhas sob as árvores.

No total, foram coletadas 20 amostras de 19 chimpanzés diferentes. Destas, 10 apresentaram concentrações de álcool superiores a 500 nanogramas por mililitro, um nível que em humanos indica consumo intencional. Essa quantidade equivale à ingestão de uma a duas doses padrão em um período de 24 horas.

Questões em Aberto

Ainda permanecem questões sem resposta. É difícil determinar qual efeito o álcool tem no corpo desses animais, se eles se tornam "bêbados" ou se experimentam algum benefício prático. Além disso, não se sabe se os chimpanzés preferem especificamente frutas com maior teor alcoólico.

Essas perguntas são cruciais para a discussão mais ampla sobre se a nossa preferência por álcool possui raízes evolutivas semelhantes às dos primatas e se isso conferiu alguma vantagem ao longo da evolução.


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