Tesouro Direto: taxas pré disparam após IPCA-15, mas juro real cede com Treasuries
Taxas do Tesouro Direto em Movimento Após IPCA-15
27/02/2026 10h54
Atualizado há 19 minutos
Nesta sexta-feira (27), as taxas do Tesouro Direto apresentam um comportamento misto. Enquanto parte da curva é impactada pela divulgação de um IPCA-15 de fevereiro que superou as expectativas, outra parte se beneficia com a queda nos rendimentos dos títulos do Tesouro americano.
Os prefixados enfrentam pressão negativa, refletindo a alta de 0,84% do IPCA-15 no mês, que ficou acima da mediana das projeções. No entanto, no acumulado de 12 meses, a inflação desacelerou para 4,10%.
“A leitura qualitativa de fevereiro mostrou uma pressão maior do que a esperada, com uma aceleração significativa nos núcleos e surpresas altistas em bens industriais”, comenta Marianna Costa, economista da Mirae Asset. Ela ressalta que a inflação de serviços também apresentou uma aceleração disseminada.
Esses dados influenciam as projeções para um possível corte na Selic em março, levando a ajustes na parte nominal da curva. A taxa do Prefixado 2029 subiu para 12,70%, em comparação a 12,59% na véspera, enquanto a do 2032 avançou para 13,30%. O juro do título com juros semestrais 2037 alcançou 13,53%.
Um relatório do Goldman Sachs aponta que, mesmo diante de um cenário inflacionário desafiador e expectativas sem ancoragem, ainda existe a previsão de início do ciclo de redução de juros na próxima reunião do Copom.
Do lado positivo, destaca-se o fechamento da curva real longa, com o juro real do Tesouro IPCA+ 2050 caindo de 6,80% na quinta para 6,77% hoje, renovando a mínima do ano e aprofundando a compressão observada ao longo da semana.
Outros vértices também apresentaram queda. O IPCA+ 2040 baixou para 6,98%, o IPCA+ 2045 também recuou para 6,98%, e o IPCA+ 2060 foi para 6,94%. No trecho intermediário, o IPCA+ 2032 caiu para 7,39%.
Esse comportamento ocorre após os Treasuries ampliarem seus ganhos, com a taxa da T-note de 10 anos se encaminhando para fechar fevereiro com uma queda acumulada de 26 pontos-base, a 3,98%, marcando o melhor mês em um ano. Esse movimento reflete a busca por ativos mais seguros em meio às incertezas da política econômica americana e a expectativa de cortes de juros, com operadores começando a precificar uma redução já em julho.
As taxas do Tesouro Direto às 9h37 desta sexta-feira (27) foram divulgadas.
Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional, atuando como correspondente baseado em Lisboa.
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