tentativa de golpe Tentativa de golpe de Estado no Brasil em 2022–2023

Tentativa de golpe de Estado no Brasil em 2022–2023

A tentativa de golpe de Estado no Brasil entre 2022 e 2023 consistiu em uma série de articulações coordenadas por Jair Bolsonaro, envolvendo membros de seu governo e setores das Forças Armadas. O objetivo era subverter a transição do poder para o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, buscando manter Bolsonaro na presidência.

Os planos incluíam a detenção de integrantes do judiciário, o fechamento de instituições como o Congresso Nacional e até a eliminação de Lula, do vice-presidente eleito Geraldo Alckmin e do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.

As investigações sobre os planos, evidências e indivíduos envolvidos na tentativa de golpe foram reveladas gradualmente, tanto por órgãos públicos quanto pela imprensa, durante 2023 e 2024. Em setembro de 2025, Valdemar Costa Neto, presidente do Partido Liberal (PL), confirmou que havia existido um planejamento para o golpe.

Em novembro de 2024, a Polícia Federal indiciou Jair Bolsonaro e vários ex-integrantes de seu governo por tentativa de abolição violenta do estado democrático de direito, tentativa de golpe de Estado e formação de organização criminosa. No dia 11 de setembro de 2025, o STF condenou Bolsonaro e mais sete membros da organização criminosa a penas que ultrapassam 27 anos de prisão. Este fato é inédito na história do Brasil, pois é a primeira vez que um ex-presidente e generais são condenados por golpe de Estado.

Contexto político e desinformação

Sob a liderança de Jair Bolsonaro, o governo se destacou por ataques sistemáticos às instituições democráticas, especialmente ao STF. A disseminação de fake news foi um fenômeno marcante, exacerbado pelo uso de ferramentas digitais que permitiram a rápida propagação de informações falsas durante as eleições de 2022. Essa situação foi uma continuação das experiências de 2018, quando notícias fraudulentas já tinham desempenhado um papel significativo.

As eleições de 2018 foram fortemente influenciadas pela propagação de desinformação, principalmente através de aplicativos de mensagens e redes sociais. Notícias falsas como o alegado "kit gay" e a suposta distribuição de "mamadeira de piroca" se tornaram notórias e foram utilizadas mesmo após desmentidos.

O uso de robôs para aumentar a visibilidade de postagens, aliado a mudanças nos algoritmos das redes sociais, potencializou a disseminação de informações falsas. O Facebook, por exemplo, implementou alterações que diminuíram a visibilidade de postagens de veículos de imprensa, favorecendo conteúdos pessoais.

Apoio à intervenção militar

A ideia de uma intervenção militar constitucional foi promovida por militantes políticos como uma alternativa ao fechamento do Congresso Nacional e do STF, frequentemente mencionada durante momentos de instabilidade política, inclusive durante o governo de Bolsonaro. Essa noção foi reiterada em diversas manifestações e discursos.

Em outubro de 2018, um vídeo envolvendo Eduardo Bolsonaro revelava a disposição de seu grupo em considerar ações drásticas contra o STF. Suas declarações geraram reações intensas, com críticas de diversos ministros do STF e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Além disso, em maio de 2020, uma milícia pró-Bolsonaro, conhecida como "300 do Brasil", fez uma marcha em direção ao STF, levando a um aumento considerável das tensões entre os poderes.

Tensão com o STF

A relação entre o governo e o STF deteriorou-se ainda mais em 2020, quando Bolsonaro foi acusado de ameaçar a independência do judiciário. Em março de 2021, com a pandemia de COVID-19, sua popularidade caiu e ele buscou contestar decisões do STF sobre restrições impostas por governadores, gerando novos conflitos.

Bolsonaro enviou ofícios a órgãos da administração pública sugerindo a decretação de Estado de Defesa e a intervenção federal em governos estaduais, o que foi considerado um movimento polêmico. Apesar de negadas intenções de decretar Estado de Sítio, ações e declarações do presidente mostraram uma constante tensão com as instituições democráticas.


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