Tenente-coronel pede afastamento durante investigação de morte da esposa PM, encontrada com tiro na cabeça
Tenente-coronel solicita afastamento durante investigação da morte da esposa PM
O caso, inicialmente registrado como suicídio, é contestado pela família da vítima; a investigação está sob responsabilidade da Polícia Civil.
O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, pediu afastamento de suas funções na Polícia Militar após a morte de sua esposa, a soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos. Ela foi encontrada com um disparo na cabeça em seu apartamento no Brás, região central de São Paulo.
A Secretaria da Segurança Pública confirmou o afastamento do militar nesta terça-feira, 3. Em nota, a pasta informou: “A Polícia Militar informa que o tenente-coronel encontra-se afastado de suas funções, a pedido”.
Na segunda-feira, 2, a Polícia Civil reconstituiu os eventos que levaram à morte da soldado. Embora o caso tenha sido inicialmente tratado como suicídio, a família contesta essa versão apresentada pelo tenente-coronel.
As autoridades esclareceram que a reconstituição faz parte das investigações para apurar todas as circunstâncias envolvidas na morte. A Polícia segue realizando diligências e espera os resultados dos laudos.
O incidente ocorreu no último dia 18, no apartamento onde Gisele morava com Geraldo e a filha de 7 anos, de um relacionamento anterior. O tenente-coronel relatou à polícia que havia comunicado à esposa sobre sua intenção de se separar, o que gerou uma discussão. Ele afirmou que, após a briga, foi para o banheiro e, ao ouvir um barulho, encontrou Gisele caída, com a arma dele em mãos. Ele chamou a polícia e o resgate, mas a soldado não sobreviveu.
Pressão psicológica e ameaças
De acordo com a TV Globo, familiares de Gisele afirmaram que ela enfrentava violência psicológica, controle e ameaças por parte do marido. O tenente-coronel a proibia de usar salto, perfume e roupas de academia sem sua presença. A família ressaltou que Gisele mudou após o relacionamento com Geraldo e que teve pouco acesso a eles.
"Ouvimos que a menina [filha dela] presenciou cenas de violência contra a mãe, principalmente psicológicas. Ela chegou a pedir desesperadamente para não voltar mais à casa deles", afirmou José Miguel da Silva Júnior, advogado da família de Gisele.
Geraldo também mencionou à polícia que o casal enfrentava discussões frequentes devido ao ciúme da esposa. "Era um relacionamento doentio, com um controle excessivo sobre a vida dela, incluindo a proibição de contato com a família", disse o advogado.
Cinco dias antes de falecer, Gisele conversou com familiares pedindo ajuda e manifestou a intenção de pedir o divórcio. "Pai, vem me buscar porque eu não aguento mais. Não suporto mais essa pressão aqui", teria dito em uma ligação, conforme relatos da família. Seu pai chegou a ir até o prédio e gravou um vídeo: "Gisele, desce aqui que estou aqui para conversar".
A policial estava casada com Geraldo desde 2024. Até o momento, o tenente-coronel não foi encontrado para se manifestar sobre o caso.
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