Operação Tempus Veritatis Tempus Veritatis: a hora da verdade em tempos de pós- ...

Tempus Veritatis: a hora da verdade em tempos de pós- ...

Tempus Veritatis e a Busca pela Verdade

Tempus Veritatis é o nome em latim atribuído pela Polícia Federal (PF) à operação que resultou na prisão preventiva de quatro homens, incluindo dois oficiais militares e dois auxiliares do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Além das prisões, foram cumpridos mandados de busca e apreensão contra quatro ex-ministros, entre outros.

A expressão significa "tempo" ou "hora da verdade", representando um momento crucial para esclarecer os eventos em questão. O debate atual gira em torno dos possíveis impactos políticos e eleitorais da revelação da verdade em uma era de pós-verdade.

As primeiras informações sobre a operação, que abalou a cúpula do governo de Bolsonaro, foram divulgadas por volta das 7h30 do dia 8 de fevereiro.

Menos de quatro horas depois, o site do Supremo Tribunal Federal (STF) publicava a decisão do ministro Alexandre de Moraes, que acatou o pedido da PF e a recomendação da Procuradoria-Geral da República (PGR) para realizar as prisões e as buscas.

A decisão destaca trechos de uma reunião ministerial realizada em 5 de julho de 2022, que, segundo o magistrado, revela uma “dinâmica golpista” dentro do governo, onde os investigados buscavam validar e amplificar desinformações sobre as eleições e a Justiça eleitoral.

No dia seguinte, em resposta a publicações jornalísticas que divulgaram partes editadas do vídeo da reunião, Moraes tornou a gravação integral pública.

Atualmente, esses são os fatos disponíveis para quem busca entender a situação. É relevante também considerar os eventos públicos da época, como as declarações de Bolsonaro contra as urnas eletrônicas, feitas diante de embaixadores, apenas 13 dias após a reunião ministerial, transmitidas pela TV estatal.

Entretanto, mesmo antes da conclusão da investigação, já existem opiniões formadas. Um dia após a operação, uma pesquisa da Atlas, realizada exclusivamente online, revelou que 42,2% dos entrevistados viam a situação como “perseguição política” a Bolsonaro, enquanto 40,5% discordavam dessa visão.

O PL, cujo presidente nacional, Valdemar Costa Neto, foi alvo de busca e apreensão e passou dois dias detido por posse de uma arma com registro vencido, planeja encomendar uma pesquisa nacional para avaliar o impacto da operação da PF. O foco é entender se Bolsonaro se tornará um cabo eleitoral eficaz para seus candidatos a prefeito, já que o partido visa aumentar o número de eleitos entre os 5.569 municípios que irão às urnas em outubro.

Essas pesquisas sobre a percepção pública em relação à Tempus Veritatis poderão alimentar um debate que se intensificou desde 2016, quando o Dicionário Oxford destacou o termo “pós-verdade” como palavra do ano, coincidente com a eleição de Donald Trump e o referendo do Brexit.

O prefixo “pós” aqui não tem a conotação temporal, como em “pós-guerra”, mas sim uma crítica à perda de importância da verdade, conforme argumentam estudiosos de Oxford. Quando a verdade perde relevância, os fatos se tornam menos influentes na formação de opinião, enquanto apelos emocionais e crenças ganham destaque.

É improvável que as investigações da PF sejam concluídas antes das eleições de outubro. Mesmo que fossem, haveria outras etapas judiciais antes de um veredito final.

Os aliados de Bolsonaro esperam que o “julgamento das urnas” preserve o capital político do ex-presidente, contando com o discurso de “perseguição” sem abordar diretamente a trama revelada. Às instituições, cabe investigar os fatos independentemente das narrativas, levando o tempo necessário para chegar à verdade.


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