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Tarifas dos EUA podem trazer “janela de oportunidade” para antecipar exportações

Tarifas dos EUA oferecem uma “janela de oportunidade” para exportações antecipadas

25/02/2026 17h01

A instabilidade comercial gerada pelas tarifas de Donald Trump pode resultar em um aumento das exportações para os Estados Unidos, aproveitando a aparente normalidade trazida pela recente decisão de impor uma tarifa global de 10% sobre as importações, válida por 150 dias.

Após a Suprema Corte declarar ilegais as tarifas anteriores, implementadas em abril do ano passado, houve uma corrida para renegociar os percentuais. O Brasil, por exemplo, enfrentou uma tarifa de 50%, justificada como uma resposta a alegações de perseguição política em relação ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Com a recente decisão da Suprema Corte, Trump utilizou a Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, que permite tarifas de até 15%. O percentual inicialmente anunciado foi reduzido para 10%.

A situação atual, embora ainda incerta, oferece um indicativo de normalidade, pelo menos durante os próximos 150 dias, proporcionando um alívio que deve estimular uma “corrida” de exportações nos meses seguintes.

De acordo com Verônica Cardoso, economista da LCA Consultores, o mercado deve observar um movimento imediato de aceleração nas vendas para os Estados Unidos. A economista enfatiza que os compradores americanos tendem a aproveitar este período de tarifa reduzida para antecipar suas compras, o que pode resultar em um “aumento expressivo das nossas exportações” antes do fim do prazo, quando Trump pode buscar novas formas de elevar as taxas.

Esse fenômeno de antecipação já foi observado anteriormente, como em julho do ano passado, quando o anúncio de uma nova tarifa levou a um aumento nos embarques. Igor Fernandez de Moraes, especialista em Direito do Agronegócio, também recomenda que seus clientes agilizem a liberação de produtos represados. Ele acredita que a tendência é que tanto produtores quanto importadores antecipem ou escoem a produção que estava contratada, mas ainda não enviada devido às tarifas elevadas.

Embora a nova sobretaxa de 10% possa parecer negativa, ela coloca o Brasil em uma posição relativamente vantajosa na guerra comercial em curso. Em 2024, o país foi severamente impactado pela política de reciprocidade, enfrentando alíquotas que, em certos momentos, superaram as aplicadas à China.

Com a nova medida, todos os parceiros comerciais dos EUA passam a ser taxados de forma uniforme, o que, segundo analistas, reinstitui a competitividade baseada na eficiência produtiva, em vez de penalidades tarifárias. Cardoso comenta que a discussão se volta para fatores como preço, eficiência e tecnologia, já que todos enfrentam a mesma tarifa. Além disso, produtos essenciais da pauta exportadora brasileira, como combustíveis, café e carne bovina, estão isentos dessa tarifa adicional, conferindo ao agronegócio nacional uma vantagem competitiva, especialmente em comparação com a China.

Apesar do otimismo em relação ao período de 150 dias, o ambiente de negócios continua instável. A administração Biden, ao justificar suas ações como uma defesa da indústria local, deixa espaço para incertezas sobre a manutenção da tarifa em 10% ou uma possível elevação para 15% em certos produtos.

Diante desse cenário, recomenda-se cautela. Moraes observa que, embora seus clientes estejam otimistas, há um sentimento de ceticismo. Ele destaca a importância de revisar cláusulas contratuais para estabelecer regras claras sobre responsabilidades decorrentes das tarifas e variações cambiais.

Enquanto a relação comercial com os EUA se transforma, o mesmo não se pode dizer sobre o acordo entre Mercosul e a União Europeia. Especialistas acreditam que a instabilidade gerada por Trump não acelerará a assinatura do tratado. Cardoso argumenta que a paralisia do acordo europeu se deve a motivações políticas internas que não são afetadas pelas movimentações americanas.

O cenário apresenta uma corrida contra o tempo. Nos próximos cinco meses, o comércio exterior brasileiro deve passar por um período de aquecimento artificial, impulsionado pela necessidade de aproveitar a “calmaria” de uma tarifa de 10% antes que a política comercial de Washington sofra novas alterações.


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