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Soja avança em China com tensão geopolítica e demanda chinesa

Os preços futuros da soja na bolsa de Chicago apresentaram ganhos moderados na sessão desta terça-feira, com o contrato de maio fechando a US$ 11,7050 por bushel, uma alta de 0,56%.

Pela manhã, o foco estava no encontro entre o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, e o vice-primeiro-ministro da China, He Lifeng, que ajudou a sustentar os preços.

A Royal Rural destacou que o recente ataque ao Irã trouxe novas preocupações. A China condenou a ofensiva dos EUA e de Israel, enquanto se aguarda uma reunião entre Donald Trump e Xi Jinping. Caso o conflito se estenda, o encontro pode ser adiado, aumentando as tensões diplomáticas e colocando a soja americana novamente no centro das disputas comerciais.

Como maior compradora global da oleaginosa, a China havia evitado compras nos EUA nas últimas safras, mas recentemente retomou as aquisições para cumprir um compromisso de 12 milhões de toneladas. “Com o ambiente político mais instável, novos volumes podem ser questionados”, informou a Royal Rural.

Apesar de um cenário potencialmente negativo, a pressão no curto prazo vem do risco de abastecimento de fertilizantes, da alta do petróleo e da disparada dos preços globais do diesel, conforme apontou a Royal Rural.

A Agrinvest também mencionou que a valorização do dólar limitou os avanços da soja na bolsa de Chicago.

O mercado acompanha a colheita no Brasil, que avança apesar de alguns atrasos, segundo a Agrinvest. “A oferta disponível e o line-up de exportação aumentam em um momento de enfraquecimento do real frente ao dólar, intensificando a competitividade da soja brasileira no exterior”, afirmou.

No que diz respeito ao milho, os preços futuros também apresentaram leve alta na bolsa de Chicago, com o contrato para entrega em maio subindo 0,17%, a US$ 4,4650 por bushel.

Conforme a Granar, as cotações do milho terminaram o dia em leve alta, reagem às notícias da guerra no Oriente Médio, especialmente pelo impacto do fechamento do trânsito no Estreito de Ormuz, que elevou o preço do petróleo.

Além disso, o mercado acompanhou a divulgação do USDA sobre a venda privada de 196 mil toneladas para destinos não revelados.

Os preços futuros do trigo encerraram o dia em queda pela segunda vez consecutiva em Chicago, com o contrato de março recuando 0,56%, a US$ 5,7400 por bushel.

A Agrinvest observa que parte da recente queda deve-se à realização de lucros após a forte alta da última sexta-feira.

De acordo com a Reuters Internacional, o clima seco nas planícies do sul dos EUA continua a dar suporte às cotações. As condições climáticas na Índia também entram em foco com a aproximação do período mais quente.

Segundo Kevin Duling, da KD Investors, o mercado está atento aos desdobramentos da guerra no Irã. “A incerteza pode pressionar as bolsas e fortalecer o dólar, o que tende a impactar as commodities”, informou.

No Brasil, o aumento dos preços dos fertilizantes pode reduzir a intenção de plantio de trigo para esta safra, em razão da deterioração da relação de troca. Outro fator de preocupação é o risco do fenômeno climático El Niño no segundo semestre, que aumenta incertezas e custos com seguro agrícola.


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