Sistema Solar é repleto de “bonecos de neve” – novo estudo sugere origem
Sistema Solar repleto de "bonecos de neve"
Um recente artigo na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society oferece uma nova perspectiva sobre a origem de curiosos objetos gelados localizados nas regiões mais distantes do Sistema Solar, especificamente no Cinturão de Kuiper.
Esses corpos, que se assemelham a “bonecos de neve” espaciais, são formados por duas estruturas arredondadas conectadas, como se fossem duas bolas que se tocaram e permaneceram unidas.
Esses objetos gelados estão além da órbita de Netuno e se originaram pela união gravitacional de partículas menores. Simulações realizadas pelos pesquisadores mostram como esses binários de contato surgiram e se mantêm preservados desde os primórdios do Sistema Solar.
Localizados em uma área repleta de fragmentos congelados que sobraram da formação planetária, esses planetesimais funcionam como verdadeiros fósseis cósmicos. Estudar suas características é fundamental para entender a origem do Sistema Solar, que ocorreu há cerca de 4,5 bilhões de anos.
Assim como uma bola de neve se forma a partir da junção de pequenos flocos, os planetesimais também teriam surgido da aglomeração de partículas menores. No início, o Sol era cercado por um disco de poeira e rochas, onde pequenos fragmentos, do tamanho de pedrinhas, se uniram pela força gravitacional.
Mudanças na linha de investigação
Em 2019, a sonda New Horizons, da NASA, enviou as primeiras imagens detalhadas de um desses objetos duplos, revelando um corpo com aparência de boneco de neve. Desde então, estudos sugerem que entre 10% e 25% dos planetesimais podem ter esse formato.
Embora as observações sejam promissoras, a forma como essas estruturas se formam ainda não estava clara. Modelos anteriores simulavam colisões perfeitas entre esferas, resultando em objetos redondos, sem explicar as formas alongadas ou duplas.
O novo estudo adotou uma abordagem diferente, simulando nuvens compostas por milhares de partículas menores. Essa metodologia exige maior capacidade computacional, pois requer o acompanhamento do movimento individual de cada fragmento.
As simulações demonstraram que, ao girarem, essas nuvens nem sempre formam um único corpo. Em alguns casos, surgem dois planetesimais que orbitam entre si, e a atração gravitacional pode levá-los a se unirem suavemente ao longo do tempo.
Esse processo explica a diversidade nas formas dos objetos, que podem variar de corpos achatados a estruturas com duas partes bem definidas, como os “bonecos de neve” espaciais.
Relíquias do início do Sistema Solar
Como esses objetos estão em regiões remotas, é raro que sofram colisões que os separem, permitindo que permaneçam unidos por milhões ou até bilhões de anos. Essa estabilidade ajuda a preservar suas formas originais desde a formação do Sistema Solar.
Nas simulações, cerca de 4% dos planetesimais formaram binários de contato. Embora esse número seja inferior ao estimado nas observações reais, os pesquisadores acreditam que ajustes no modelo podem alinhar os resultados à realidade.
A equipe também investiga a possibilidade de sistemas com três ou mais corpos orbitando juntos, o que pode ajudar a explicar a presença de sistemas triplos já observados no Cinturão de Kuiper, ampliando o entendimento sobre a história e a diversidade dos objetos gelados que habitam os confins do nosso Sistema Solar.
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