Bad Bunny

Show do Bad Bunny: como cantor furou a bolha e virou o artista internacional mais tocado do streaming no Brasil

Bad Bunny e seu impacto no streaming brasileiro

Recentemente, Bad Bunny experimentou um crescimento inesperado de popularidade no Brasil, especialmente após sua apresentação no Super Bowl e shows em São Paulo nos dias 20 e 21 de fevereiro.

O artista porto-riquenho, que nunca havia aparecido entre os 50 mais tocados do Spotify no Brasil, agora é um dos líderes nas paradas do serviço de streaming. Após a final da NFL, ele alcançou a 12ª posição, caindo para a 24ª na semana seguinte, mas se mantendo como o estrangeiro mais ouvido, apenas atrás de ícones do funk e sertanejo.

No YouTube, a situação é similar, com Bad Bunny ocupando a 76ª posição entre os artistas mais populares no Brasil.

Esse feito é notável em um mercado onde a música local domina. Para ilustrar, Taylor Swift, a artista internacional mais bem posicionada após Bad Bunny, ficou na 59ª colocação.

A canção "DtMF", do álbum Debí Tirar Más Fotos, chegou a alcançar a 14ª posição no Spotify, superando a segunda música estrangeira mais tocada, "The Fate of Ophelia" de Swift, que ficou em 66ª.

Especialistas sugerem que o sucesso de Bad Bunny está fortemente ligado à sua performance no Super Bowl, que gerou um grande impacto na televisão e na internet, levando muitos brasileiros a se conectarem com os símbolos latinos que ele apresentou.

A repercussão do Super Bowl

A apresentação de Bad Bunny, que durou menos de 15 minutos, reverberou muito além do evento esportivo. Essa foi a primeira vez que o Super Bowl foi transmitido ao vivo pela televisão aberta no Brasil, com a Globo exibindo os melhores momentos do show e do jogo, alcançando 12,9 milhões de pessoas.

Na internet, a apresentação gerou milhões de visualizações e discussões. Após o evento, o nome do cantor foi mencionado em 218,5 mil publicações, destacando-se como um dos assuntos mais comentados nas redes sociais.

Um trecho em que Bad Bunny pede que "Deus abençoe a América" se destacou, gerando grande engajamento, com um dos posts recebendo 5,7 milhões de visualizações.

Embora apenas 4% da população brasileira se identifique como latino-americana, o sentimento de união entre latinos, especialmente em resposta a críticas feitas por Donald Trump, foi crucial para o engajamento.

Análise do engajamento nas redes sociais

A análise das menções a Bad Bunny nas redes sociais mostra que 75,93% das interações foram positivas. Em contrapartida, 15,25% foram negativas, refletindo um cenário polarizado.

O antropólogo Rafael Noleto ressalta que a crítica de Bad Bunny aos Estados Unidos contrasta com uma postura favorável a esse país de parte da população brasileira. O engajamento nas redes sociais, mesmo quando negativo, pode ter contribuído para aumentar a curiosidade sobre o artista.

O futuro de Bad Bunny no Brasil

A pergunta que fica é se Bad Bunny manterá seu sucesso nas paradas musicais após sua passagem pelo Brasil. Embora fatores imprevisíveis, como colaborações com artistas locais, possam influenciar, a tendência geral parece ser de queda, como indicam os rankings do Spotify.

Ainda assim, a conexão de sua obra com o Brasil é inegável, tanto pelas semelhanças culturais quanto pela sonoridade que ressoa com a música local. Elementos visuais e temáticas presentes em sua carreira, como a capa do álbum "DtMF", refletem uma identidade compartilhada entre porto-riquenhos e brasileiros.

As afinidades culturais, evidenciadas por experiências semelhantes de colonização e imperialismo, tornam a música de Bad Bunny particularmente ressonante, lembrando a todos de suas origens.


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