Shell está pronta para maior apoio à Raízen, dizem fontes
Shell se prepara para ampliar suporte à Raízen, afirmam fontes
25/02/2026 17h11
Atualizado há 17 minutos
A Shell, parceira da joint venture que integra a problemática produtora de açúcar e etanol Raízen, está disposta a investir uma quantia significativa para recapitalizar a empresa e evitar a recuperação judicial, conforme revelaram três fontes próximas ao tema.
A Raízen, uma das maiores produtoras de açúcar globalmente e uma importante distribuidora de combustíveis no Brasil, enfrenta uma crise financeira severa, tendo registrado um prejuízo líquido de R$15,6 bilhões no terceiro trimestre de fevereiro, além de ter alertado sobre uma "incerteza relevante" em sua capacidade de operação.
A partir do momento em que os EUA assumiram o controle das exportações de petróleo venezuelano, o fornecimento a Cuba foi interrompido, intensificando sua crise energética.
Analistas questionam se um aporte bilionário está a caminho, com a proposta de injeção de capital da Cosan e da Shell incluindo investimentos de fundos de private equity geridos pelo BTG Pactual.
A dívida líquida da companhia disparou, alcançando R$55,3 bilhões em 31 de dezembro, resultado de uma combinação infeliz de altos investimentos, condições climáticas adversas e incêndios nos canaviais, que impactaram a produtividade agrícola e diminuíram os volumes de moagem.
Até a semana passada, a Shell estava pronta para injetar R$2,5 bilhões na Raízen, mas agora indicou a possibilidade de oferecer até R$3,5 bilhões, com condições específicas, segundo duas das fontes consultadas.
Uma terceira fonte informou que o suporte proposto pela Shell aumentou nas últimas semanas, ressaltando que nada estava definido até a formalização de um acordo, embora a empresa listada em Londres estivesse disposta a contribuir com um valor significativamente maior.
A Shell e a Cosan detêm cada uma 44% da Raízen, enquanto 12% das ações estão em livre circulação.
A Cosan, enfrentando seus próprios desafios e passando por reestruturação financeira, poderia investir R$1 bilhão, enquanto o presidente do conselho da Raízen, Rubens Ometto — também acionista da Cosan — poderia aportar até R$1 bilhão, condicionado a um acordo de financiamento em negociação, segundo as fontes.
Um credor comentou que, para fortalecer suas finanças, a Raízen precisaria de cerca de R$25 bilhões, incluindo novo capital e a receita da venda de sua unidade argentina, que deve gerar aproximadamente US$1 bilhão.
A Shell, a Cosan e Ometto não se pronunciaram sobre o assunto.
No início deste mês, a Raízen contratou os escritórios de advocacia Pinheiro Neto e Cleary Gottlieb, além da Rothschild & Co como consultora financeira, para explorar suas opções estratégicas e financeiras.
Esse anúncio resultou em rebaixamentos rápidos nas classificações de crédito da Raízen por grandes agências, incluindo S&P Global, Fitch e Moody’s.
Em seu relatório, a Moody’s destacou a alta alavancagem da empresa, a contínua geração de fluxo de caixa negativo, os altos encargos de juros e os resultados abaixo do esperado no setor de açúcar e etanol.
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