diretor da Abin

Servidor da Receita conecta acesso ilegal no STF à estrutura da “Abin paralela”

Acesso Ilegal de Servidor da Receita Relacionado à "Abin Paralela"

Auditor da Receita, que está sob monitoramento com tornozeleira eletrônica, justificou seu acesso a dados da nora de um ministro do STF alegando um erro de parentesco.

A Polícia Federal investiga o uso de práticas de espionagem na Receita Federal para proteger aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, incluindo a coleta de informações contra o procurador José Eduardo Gussem.

O ex-diretor da Abin, Alexandre Ramagem, estava envolvido em estratégias para blindar a Receita, e o presidente da Unafisco, Kleber Cabral, foi convocado a depor devido a declarações controversas.

As investigações em torno do acesso indevido a dados de ministros do Supremo Tribunal Federal revelaram ligações entre servidores da Receita e uma rede de espionagem ilegal. Ricardo Manzano de Moraes, auditor que cumpre medidas cautelares, chamou a atenção da Corregedoria ao justificar seu acesso aos dados da nora do ministro Gilmar Mendes.

Manzano alegou que buscava o contato de um amigo, levando a crer em um parentesco inexistente. O amigo mencionado, Ricardo Pereira Feitosa, foi coordenador-geral da Receita no governo de Bolsonaro e foi demitido em 2023.

Conexões com a Inteligência Paralela

Um relatório da Polícia Federal enviado ao STF indica que Feitosa utilizou sua posição para coletar informações fiscais de opositores da família Bolsonaro, incluindo Gussem, que denunciou o esquema de "rachadinha" no gabinete do então senador Flávio Bolsonaro.

O documento da PF também destaca a interferência política na Receita, associando o uso da ferramenta de espionagem First Mile a tentativas de proteger aliados. O processo administrativo contra Feitosa suscita preocupações entre os agentes envolvidos.

Pressões e Depoimentos

Kleber Cabral, presidente da Unafisco, foi chamado para prestar esclarecimentos à Polícia Federal sobre suas declarações de que servidores temem mais investigar ministros do STF do que membros do PCC. Essa afirmação foi vista como uma resposta às punições impostas pelo ministro Alexandre de Moraes a servidores suspeitos de vazar informações.

As investigações mostram que esses servidores não estavam realizando apurações que justificassem o acesso a dados sigilosos.

Papel de Ramagem na Operação

As apurações apontam que as articulações na Receita eram parte de um plano coordenado por Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin. Ramagem, atualmente foragido em Miami, teria trabalhado para colocar aliados na Corregedoria da Receita.

O relatório sugere que Cabral tentou influenciar Guilherme Bibiani a não assumir o cargo de corregedor, uma nomeação que contrariava os interesses do grupo, que buscava proteger Flávio Bolsonaro e impedir investigações sobre acessos ilegais a dados fiscais.


← Voltar para as notícias