olhardigital Série mostra cidade em bunker — mas isso seria possível?

Série mostra cidade em bunker — mas isso seria possível?

Série mostra cidade em bunker — mas isso seria possível?

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Uma série sobre uma cidade subterrânea construída para proteger milhares de pessoas após uma previsão de um evento catastrófico global. A história apresenta uma reviravolta logo no primeiro episódio, mostrando que a cidade seria possível. Mas, isso seria possível? Especialistas afirmam que alguns elementos mostrados na série têm base em engenharia existente, embora diversos aspectos ainda extrapolem o que é tecnicamente viável hoje.

O professor Ali Mehrizi-Sani, da área de engenharia elétrica e de computação, afirma que a série parte de princípios técnicos conhecidos, ainda que leve algumas ideias além do que é possível atualmente. Grande parte do que Paradise retrata é baseado em engenharia, mas extrapola bastante a partir do que está disponível atualmente.

Instalações subterrâneas também já existem em diferentes contextos. Nino Ripepi, da área de engenharia de mineração e minerais, lembra que diversos países construíram bunkers capazes de abrigar pessoas por períodos prolongados.

Segundo Ripepi, o maior acerto foi que um projeto dessa escala exigiria planejamento prolongado e investimentos muito elevados. “O maior acerto foi que isso exigiria uma década de planejamento e construção, além de muito dinheiro para ser concretizado. Seria possível construir uma cidade subterrânea como a de Paradise? Só se você tivesse muito dinheiro sobrando para gastar à vontade.”

Energia seria um dos maiores desafios

Outro ponto central seria garantir energia para manter a cidade funcionando. Em análise sobre o tema, o Aspectus Group afirma que uma cidade subterrânea poderia contar com diferentes fontes energéticas, dependendo das condições do projeto.

Uma possibilidade apontada é a energia geotérmica, que poderia fornecer eletricidade, aquecimento e refrigeração sem depender de estruturas instaladas na superfície. A hipótese é considerada especialmente relevante em um cenário de catástrofe global, em que sistemas como energia solar ou eólica poderiam não estar disponíveis.

Outra opção seria a geração de energia a partir de resíduos, que permitiria ao mesmo tempo produzir eletricidade e lidar com o tratamento do lixo. O uso de reatores nucleares modulares também poderia ser considerado, embora a tecnologia ainda seja menos madura do que outras alternativas.

A iluminação também seria diferente. Em vez de reproduzir perfeitamente a luz solar, engenheiros provavelmente utilizariam lâmpadas LED de alta eficiência. Mesmo assim, o calor gerado por esses sistemas precisaria ser removido do ambiente para evitar superaquecimento.

Cidades subterrâneas existem na vida real

Apesar dos desafios, há exemplos reais de comunidades construídas abaixo da superfície. Uma reportagem da BBC destaca o caso de Derinkuyu, na Turquia, considerada a maior cidade subterrânea escavada do mundo.

O local possui 18 níveis de túneis e fica a mais de 85 metros de profundidade, tendo sido habitado por milhares de pessoas ao longo da história até ser abandonado no início do século XX.

Outro exemplo citado pela BBC é Coober Pedy, na Austrália. A cidade mineradora, com cerca de 2.500 habitantes, desenvolveu grande parte de suas construções no subsolo para escapar do calor extremo da região.

Esses exemplos mostram que viver abaixo da superfície é possível em determinadas condições, embora especialistas ressaltem que construir uma cidade subterrânea totalmente autossuficiente e com dezenas de milhares de habitantes ainda represente um desafio técnico e financeiro enorme.

Ana Luiza Figueiredo é repórter do Olhar Digital. Formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), foi Roteirista na Blues Content, criando conteúdos para TV e internet.


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