Fabiano Contarato

Senadores cobram da Meta mais rastreabilidade e reparação às vítimas de golpes — Senado Notícias

Senadores exigem melhorias da Meta em rastreabilidade e apoio a vítimas de golpes

Da Agência Senado | 24/02/2026, 16h09

Durante o depoimento da Meta na CPI do Crime Organizado, senadores manifestaram que a empresa deve intensificar a rastreabilidade de conteúdos ilegais e implementar medidas de proteção para usuários lesados, mesmo sem ordem judicial.

Os parlamentares levantaram questões sobre a verificação de contas, a possível utilização do WhatsApp por criminosos, o uso do Facebook e outras plataformas na exploração sexual de crianças, além de anúncios de apostas ilegais.

A diretora da Meta na América Latina, Yana Dumaresq, destacou que a empresa tem investido em modernização e automação de mecanismos de alerta, além de ações contra conteúdos enganosos. A Meta controla plataformas como Facebook, Instagram e WhatsApp.

O relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), expressou sua frustração pela falta de dados sobre denúncias, contas excluídas e golpes nas plataformas da Meta no Brasil. Ele mencionou que, segundo o Anuário de Segurança Pública, 56 milhões de brasileiros são vítimas de golpes online a cada ano, resultando em prejuízos superiores a R$ 50 bilhões.

Alessandro questionou a falta de conhecimento da empresa sobre seu próprio mercado, considerando que o Brasil é um dos principais mercados da Meta.

Yana Dumaresq argumentou que a rede de golpistas online é complexa e muitas vezes os anúncios parecem legítimos, mas levam os usuários a ambientes onde ocorrem os golpes. Ela ressaltou a importância de os usuários denunciarem os problemas na plataforma para que a Meta possa agir.

O relator mencionou uma matéria da Agência Reuters, que indicava que a Meta poderia ter obtido cerca de 10% de sua receita anual com anúncios fraudulentos. Dumaresq afirmou que, embora a empresa esteja atenta a esse problema, desconhece dados que confirmem essas informações.

Os senadores apontaram que o modelo de negócios da Meta parece transferir a responsabilidade para os usuários. Alessandro Vieira destacou que o lucro da empresa está atrelado ao volume de anúncios, o que implica responsabilidade da Meta.

O presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), argumentou que a empresa se beneficia quando poucas pessoas buscam reparação na Justiça.

Dumaresq defendeu que a Meta não atua somente com base em denúncias e garantiu que mais de 90% das remoções em 2024 foram feitas proativamente. Ela destacou que a empresa realiza monitoramento contínuo para identificar e bloquear fraudes.

Os senadores questionaram sobre o selo Meta Verified, que pode induzir os usuários a acreditarem em uma segurança total. Dumaresq afirmou que o selo demonstra preocupação com a segurança, mas que a verificação de contas é independente dele.

O relator também levantou preocupações sobre o uso do WhatsApp para atividades criminosas, enfatizando a falta de ferramentas eficazes para fiscalizar o uso do serviço.

Dumaresq afirmou que a Meta investe em segurança para o WhatsApp, utilizando inteligência artificial para detectar fraudes e alertar usuários.

Em 2020, um relatório do Human Trafficking Institute indicou que o Facebook era a principal plataforma usada para aliciar crianças. Os senadores questionaram se a Meta tem capacidade de impedir a transferência de imagens de abuso.

Dumaresq respondeu que a empresa prioriza essa questão e possui equipes dedicadas ao combate a esse tipo de crime.

O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) indagou sobre a prevalência das diretrizes globais da Meta frente às leis brasileiras. Dumaresq garantiu que a empresa respeita a legislação local em todos os países onde atua.

O senador Eduardo Girão (Novo-CE) questionou sobre a atuação da Meta em relação a apostas esportivas ilegais. Dumaresq afirmou que a empresa verifica se os anunciantes estão regularizados e colabora com autoridades para remover conteúdos irregulares.

Dumaresq destacou que a Meta tem investido em mecanismos de proteção e que, em 2025, desarticulou quase 12 milhões de contas vinculadas a redes criminosas.

Ela também mencionou que, globalmente, a Meta removeu mais de 134 milhões de anúncios fraudulentos e notou uma queda significativa nas denúncias de usuários sobre golpes.

A diretora afirmou que, por meio de parcerias e tecnologia, a empresa busca aprimorar a segurança e a proteção dos usuários, enfatizando a colaboração entre o setor privado e as autoridades públicas.


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