Alessandro Vieira

Senador diz que decisão de Gilmar para proteger sigilo da Maridt é “atentado contra a democracia”

Senador critica decisão de Gilmar Mendes sobre Maridt

O relator da CPI do Crime Organizado, Alessandro Vieira (MDB-SE), classificou a decisão liminar do ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, que anulou a quebra dos sigilos da Maridt Participações, como um “atentado contra a democracia”. A afirmação foi feita durante uma entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, onde discutiu o escândalo financeiro relacionado ao "Caso Master".

Vieira afirmou: “O ministro Gilmar Mendes comete um atentado violento contra a democracia [...] ele ressuscita um processo arquivado há três anos para criar ficcionalmente uma prevenção e, a partir daí, cria uma rede de proteção, porque se deseja que os brasileiros não tenham acesso à informação de quanto dinheiro e de onde veio esse dinheiro que passou por uma empresa que pertence a familiares de ministros”.

A CPI investiga se o proprietário do banco Master, Daniel Vorcaro, utilizou a Maridt Participações — que tem em seu quadro societário os irmãos José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli, familiares do ministro Dias Toffoli — para a lavagem de dinheiro. Vieira ressaltou que a investigação sobre o caso Master, junto à decisão do STF, exemplifica a infiltração do crime organizado no poder.

O senador também comparou a situação, afirmando que é mais fácil quebrar o sigilo de um presidente da República do que o de um ministro do STF. Ele se referiu ao sigilo de Fabio Luis da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Lula. “Nós já tivemos, na sociedade, a quebra de muitas barreiras; já tivemos presidentes presos, mas nunca tivemos ministros do STF sequer investigados”, destacou.

A disputa judicial surgiu porque a Maridt argumentou que a quebra de seus sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático, autorizada pela CPI em fevereiro, não teria relação com os objetos de investigação da comissão.

A Transparência Internacional também manifestou críticas à decisão de Gilmar Mendes, afirmando que essa prática faz parte de um padrão utilizado pelo ministro para proteger aqueles que lhe interessam. A ONG lembrou que Gilmar já havia utilizado estratégias semelhantes para permitir que investigados peticionem diretamente a ele, desviando-se de relatores e instâncias. “Assim como blindou a Maridt dos Toffoli, usou manobra similar para anular toda a investigação sobre a corrupção na FGV, parceira de sua empresa IDP no Gilmarpalooza. As investigações da corrupção na FGV acabaram em pizza. O Senado (e o país) precisam lutar para que o mesmo não aconteça nas investigações do Master”, afirmou a TI.


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