Senado dribla Alcolumbre e apura caso Master mesmo sem CPI própria
Senado avança na apuração do caso Master sem CPI própria
Senadores têm se mobilizado para investigar irregularidades envolvendo o Banco Master, mesmo diante da resistência do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), em abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) específica para o caso. As apurações estão sendo realizadas por meio de três frentes distintas.
Uma delas é a CPI mista do INSS, sob a presidência do senador Carlos Viana (Podemos-MG), além da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), liderada pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL). A CPI do Crime Organizado, presidida pelo senador Fabiano Contarato (PT-ES), também está focada em examinar os desdobramentos do caso Master. O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) atua como relator da CPI do Crime Organizado.
Embora essas iniciativas estejam em andamento, há uma pressão crescente por uma CPI exclusiva do Master. Dois requerimentos já foram apresentados, um para uma CPI mista e outro para uma do Senado, ambos com assinaturas suficientes para a instalação, mas a decisão final cabe a Alcolumbre.
De acordo com informações da coluna Painel, da Folha, Alcolumbre teria comunicado a seus aliados que não pretende instaurar uma CPI para investigar as fraudes do banco, temendo o desgaste político em um ano eleitoral. A avaliação é que a situação poderia causar um impacto negativo amplo, afetando vários partidos.
Alessandro Vieira não descarta a possibilidade de recorrer à Justiça para a criação da CPI, assim como ocorreu na instalação da CPI da Covid, que foi autorizada por uma decisão liminar do STF.
Renan Calheiros confirmou que apoiou o pedido para a CPI do Master e defende sua instalação, ressaltando que as ações do Senado são complementares e não competem entre si.
O empresário Daniel Vorcaro, dono do Master, deveria prestar depoimentos em duas comissões distintas esta semana, mas decidiu não comparecer após um imbróglio com o uso de um jato particular para chegar a Brasília. Ele também faltará à CAE.
Carlos Viana antecipou a convocação do ex-banqueiro para acelerar os trabalhos da comissão. Por outro lado, Renan acusa o centrão de tentar esvaziar a CAE para evitar consequências das investigações.
A CPI do Crime Organizado pretende investigar conexões entre ministros do STF e pessoas ligadas ao Master. A Folha já revelou que empresas associadas a familiares do ministro Dias Toffoli têm vínculos com um fundo de investimentos relacionado às fraudes do banco. Além disso, o ministro Alexandre de Moraes se vê envolvido, já que o Master contratou o escritório de sua esposa, Viviane Barci, com um contrato de R$ 3,6 milhões mensais.
Nesta semana, a CPI deve votar requerimentos para convocar não apenas Vorcaro, mas também seu ex-sócio Augusto Lima, além de Viviane e familiares de Toffoli.
As investigações da CAE se concentram em fraudes no Sistema Financeiro Nacional, além de lacunas na legislação que permitem abusos. A CPI do INSS, por sua vez, tem um foco mais restrito, lidando com fraudes em empréstimos consignados, enquanto uma decisão judicial recente suspendeu descontos em 250 mil contratos do Master.
Renan criou um grupo de trabalho na CAE para intensificar as investigações e, nesta semana, está prevista uma reunião com a Controladoria-Geral da União (CGU).
Os senadores também estão buscando convocar dirigentes da Polícia Federal e do Banco Central para contribuir com as apurações.
O cenário político e as investigações em curso indicam que a situação do Banco Master pode gerar desdobramentos significativos no Senado e além.
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