Senado dribla Alcolumbre e apura caso Master mesmo sem CPI própria
Senado avança na investigação do caso Master sem CPI própria
Com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), indicando que não abrirá uma CPI sobre o Banco Master, senadores têm adotado estratégias próprias para investigar o caso em três frentes distintas.
Daniel Vorcaro, proprietário do Master, está agendado para prestar depoimentos em comissões do Senado, com datas marcadas para os dias 23 e 24 de outubro na CPI mista do INSS e na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos). No entanto, ele optou por não comparecer após o ministro André Mendonça, do STF, não autorizar o uso de um jato particular para sua viagem a Brasília.
Mendonça, que assumiu a relatoria do caso Master após a saída de Dias Toffoli, também determinou que Vorcaro não era obrigado a comparecer à CPI, que havia convocado o ex-banqueiro como testemunha em dezembro.
Além da CPI do INSS, sob a presidência do senador Carlos Viana (Podemos-MG), e da CAE, presidida por Renan Calheiros (MDB-AL), a CPI do Crime Organizado, liderada por Fabiano Contarato (PT-ES), também analisará questões relacionadas ao Master. O relator dessa CPI é o senador Alessandro Vieira (MDB-SE).
Apesar dessas iniciativas, a pressão por uma CPI exclusiva do Master persiste, dependendo da decisão de Alcolumbre. Existem dois requerimentos com assinaturas suficientes para a instalação, mas a prerrogativa de avançar com esses pedidos é do presidente da Casa.
Conforme reportado pela coluna Painel, da Folha de S.Paulo, Alcolumbre já sinalizou a seus aliados que não pretende instaurar uma comissão para investigar as fraudes do banco. Senadores acreditam que ele evita essa situação em um ano eleitoral, pois o desgaste pode afetar vários partidos.
Vieira argumenta que “uma CPI só é enterrada se não houver recurso à Justiça”, fazendo referência ao caso da CPI da Covid, que foi instaurada após uma decisão liminar do STF.
Renan, que já assinou o pedido de CPI do Master, defende sua criação e afirma que as iniciativas do Senado são complementares. Ele enfatiza que a CAE atua constantemente na fiscalização do Sistema Financeiro Nacional, incluindo as fraudes relacionadas ao Master.
A CPI do Crime Organizado pretende explorar as ligações entre ministros do STF e indivíduos investigados no caso Master. Recentemente, informações revelaram que empresas ligadas a parentes de Toffoli tiveram vínculos com um fundo de investimentos associado às fraudes do Master.
Outro ministro envolvido é Alexandre de Moraes, já que o banco contratou o escritório da sua esposa, Viviane Barci, por R$ 3,6 milhões mensais.
Nesta semana, a CPI deverá votar requerimentos para convocar Vorcaro, seu ex-sócio Augusto Lima, Viviane e parentes de Toffoli.
Vieira reafirma que essa investigação está alinhada com os objetivos da CPI, que busca entender o uso de instituições financeiras para a lavagem de dinheiro do crime organizado.
A CPI do INSS, por sua vez, foca em fraudes relacionadas a empréstimos consignados. Recentemente, a Justiça suspendeu os descontos de cerca de 250 mil contratos do Master, determinando que os valores sejam depositados em uma conta judicial.
Na CAE, Renan criou um grupo de trabalho para acompanhar as investigações, ampliando o escopo da apuração para fraudes no Sistema Financeiro Nacional e possíveis brechas legais.
Nesta semana, o grupo de trabalho se reunirá com a CGU (Controladoria-Geral da União) e já teve encontros com o presidente do STF e o diretor-geral da Polícia Federal.
A CAE também aprovou convites para Augusto Lima, o diretor-geral da PF e o presidente do Banco Central, além de outros diretores da autoridade monetária.
A situação continua a evoluir, e os senadores estão determinados a aprofundar as investigações sobre as fraudes financeiras associadas ao Banco Master.
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