Senado dos EUA questiona Marco Rubio sobre Venezuela e cita Bolsonaro e Lula
Audiência no Senado dos EUA aborda a situação na Venezuela
Durante uma audiência no Senado, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, enfrentou perguntas sobre a sucessão de Nicolás Maduro na Venezuela. Também foi questionado sobre a relação com a líder interina, Delcy Rodríguez, e criticado pela falta de consulta ao Congresso antes de uma intervenção em Caracas. O debate se estendeu a figuras brasileiras como Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva.
Rubio afirmou que eleições na Venezuela são inevitáveis, mas ressaltou que o processo é complexo e demanda tempo. Ele comparou a situação a uma refeição que não pode ser apressada, enfatizando a necessidade de uma abordagem cautelosa.
O secretário destacou que o governo de Donald Trump está monitorando as ações das autoridades interinas e não descartou o uso da força, caso outras soluções falhem. A posição foi questionada por senadores de ambos os partidos, com o republicano Rand Paul lembrando que a intervenção militar em 3 de janeiro não foi considerada um ato de guerra.
Paul comparou a situação na Venezuela com um hipotético ataque a Estados Unidos, questionando se Rubio manteria o mesmo discurso. O secretário defendeu a intervenção, argumentando que não se tratava da remoção de um líder eleito, mas de alguém que fraudou as eleições e foi condenado por tráfico de drogas.
O senador também mencionou o Brasil, citando as controvérsias sobre a legitimidade das eleições de Lula e Bolsonaro. Ele concordou que Maduro provavelmente não foi eleito, mas alertou que isso poderia levar ao caos.
Durante a audiência, um manifestante se levantou com um cartaz pedindo que os EUA não interferissem na Venezuela e foi removido.
Rubio foi questionado sobre os planos de Trump para a Venezuela. O governo americano parece estar colaborando com Delcy, que foi vice de Maduro. Por outro lado, a opositora María Corina Machado, impedida de concorrer, vive na clandestinidade e tem se distanciado das atenções, embora tenha dedicado seu Nobel da Paz a Trump.
O secretário reconheceu que a situação é complexa e que o controle das armas está nas mãos do regime, o que dificulta a transição. Embora tenha mencionado a possibilidade de Machado participar do processo, não especificou como.
Os senadores também abordaram a OTAN, onde Rubio defendeu uma reavaliação da aliança, suavizando as críticas que Trump fez anteriormente.
Rubio foi questionado sobre a falta de consulta ao Congresso antes da intervenção. O senador Chris Coons argumentou que, se houve tempo para a operação, deveria haver tempo para informar o Legislativo.
Quanto aos recursos da venda de petróleo da Venezuela, Rubio afirmou que o dinheiro será controlado pelo Tesouro dos EUA, destinado ao povo venezuelano. No entanto, o plano foi criticado por senadores, que acusaram o governo Trump de tentar roubar os recursos do país.
O senador Chris Murphy alertou que a abordagem de Rubio era sem precedentes e levantou preocupações sobre o destino do dinheiro, questionando a legitimidade da gestão dos recursos em um país de 30 milhões de habitantes.
A audiência levantou questões cruciais sobre a política dos EUA em relação à Venezuela e o papel do país na dinâmica geopolítica da América Latina.
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