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Segurança pública dominará 2026 e fará eleição virar disputa de poder sobre quem mata e quem morre no Brasil

Segurança pública dominará 2026 e transformará eleição em disputa de poder

A próxima eleição será menos sobre propostas para o país e mais uma competição sobre quem melhor administra o medo.

A segurança pública se consolidou como o tema central das eleições de 2026. Essa não é uma consequência de um aumento repentino da violência ou de uma crise incontrolável, mas sim do medo, que se tornou o principal ativo político no Brasil contemporâneo.

Esse tema deixou de ser apenas uma política pública para se transformar em uma linguagem de poder e uma estratégia eleitoral. A prova disso está nas campanhas que promovem a compra de “armas pesadas”, desvinculadas de planos de segurança, sem que se consiga mensurar o real custo e impacto dessas ações. Os candidatos já estão em campanha, refletindo a preocupação dos brasileiros, que apontaram a segurança como sua maior inquietação nas últimas pesquisas.

Nos últimos anos, abordar a segurança pública tornou-se uma estratégia eficaz para conquistar votos, justificar exceções legais e silenciar críticas. A discussão não gira mais em torno de diagnósticos ou soluções estruturais, mas sim em respostas simples e moralizantes para problemas complexos.

Nesse contexto, a milícia é mais do que um fenômeno criminal localizado; ela se tornou central na compreensão da política brasileira. Durante muito tempo, foi vista como uma anomalia restrita ao Rio de Janeiro, resultado da presença do Estado em determinados territórios. Essa perspectiva, no entanto, não se sustenta.

A milícia não se expande onde o Estado está ausente, mas onde ele atua de forma seletiva, protegem aliados e eliminam concorrentes, convertendo a violência em um ativo econômico e político. Essa rede criminosa, composta em sua maioria por agentes públicos, nasce dentro das instituições e se expande a partir delas.

Nas últimas décadas, a milícia evoluiu de um grupo armado que controla bairros para uma engrenagem de poder sofisticada. Ela não apenas domina territórios, mas também regula mercados, interfere em eleições, controla serviços essenciais e constrói alianças políticas duradouras, operando em simbiose com o Estado.

O controle armado de áreas específicas se transformou em um modelo replicável, com lógica empresarial e discurso moralizante, com potencial para se espalhar pelo país.

A milicianização da política se manifesta quando candidatos, partidos e governos adotam métodos milicianos de governar. Isso envolve controle territorial pela força, naturalização da violência como meio de mediação social, criminalização de adversários e captura de estruturas estatais para fins privados.

A chacina de Castro não visou o Comando Vermelho, mas a eleição de 2026. A pior operação policial no Rio de Janeiro sempre será a próxima.

O ano eleitoral expõe a incoerência e hipocrisia do Congresso em relação à segurança pública. Essa estratégia se expressa em discursos que prometem mais polícia sem controle, mais armas em circulação e menos fiscalização. A disputa eleitoral de 2026 tende a se organizar em torno de quem demonstrar maior disposição para aprofundar esse caminho, apresentando a violência como solução e o endurecimento como virtude.

A segurança pública se tornou a linguagem eleitoral mais eficaz para justificar retrocessos democráticos. Em nome do combate ao crime, os eleitos flexibilizam garantias legais e enfraquecem mecanismos de controle, o oposto do que deveriam fazer.

Atacam a imprensa, pesquisadores e defensores de direitos humanos, blindando a atuação de agentes do Estado. É uma linguagem emocional, simples e eficaz, que apresenta culpados claros e soluções rápidas, embora ilusórias.

Nesse cenário, a milícia desempenha um papel pedagógico, mostrando como é possível governar pela força, explorar economicamente o território e eliminar dissensos, enquanto mantém apoio político. A expansão desse modelo é tanto territorial quanto simbólica, normalizando a ideia de que direitos são privilégios e que a violência estatal é não apenas aceitável, mas desejável.

A ameaça que esse processo representa à democracia não se manifesta por meio de tanques nas ruas ou golpes clássicos, mas de forma silenciosa e eficaz, a partir das instituições, com mandatos legítimos e discursos legais. A milícia não deseja destruir o Estado, mas operá-lo e moldá-lo aos seus interesses.

Se nada mudar, 2026 será uma disputa sobre quem melhor administra o medo. A segurança pública se tornará o palco para decidir quem pode matar, quem merece proteção e quem é considerado descartável, aprimorando a política em ação nos últimos 40 anos.

Compreender esse processo é crucial, pois o problema não se limita a quem vencerá as eleições, mas ao modelo de poder que sairá fortalecido delas.


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