Segurança e nostalgia: famílias redescobrem telefone fixo
Uma situação inusitada tem se repetido na residência de Alison Lundberg: o telefone fixo começou a tocar.
"Há uma verdadeira emoção quando o telefone toca", comentou Lundberg, uma executiva de comunicação de San Diego. A curiosidade é ainda maior, pois sua família não sabe quem está ligando, já que não possuem identificador de chamadas.
Após décadas sem um telefone fixo, ela decidiu comprar um recentemente para garantir a segurança de sua filha Ava, de 4 anos. No verão passado, a pré-escola de Ava ensinou as crianças sobre segurança, incluindo como ligar para o 911 em emergências.
Em casa, Lundberg enfatizou para sua filha que ela deve ligar para o 911 em situações de emergência, como doenças ou incêndios. "Percebi que, como minha filha de 4 anos realmente faria isso?", disse, lembrando que sua família só utilizava celulares. Assim, há cerca de cinco meses, instalou o telefone fixo, oferecendo mais tranquilidade durante suas viagens de trabalho.
Além da segurança, Lundberg observa que muitos pais estão redescobrindo os benefícios dos telefones fixos, trazendo um toque de nostalgia e alegria para as crianças.
Afastando as redes sociais e melhorando a comunicação
Atualmente, Ava usa o telefone fixo principalmente para conversar com os avós que vivem em outros estados. Isso permite que ela mantenha o contato sem a necessidade de agendamentos por parte dos pais.
Lundberg frequentemente escuta as conversas da escada, achando-as engraçadas. Para ela, a conexão proporcionada pelo telefone fixo traz "alegria" à família.
Contudo, o desafio surge à medida que as crianças crescem e seus amigos não possuem telefones fixos. Por isso, Lundberg incentivou algumas amigas a aderirem ao que ela chama de "revolução". Ela acredita que isso ajudará Ava a manter conversas ao telefone na adolescência, adiando a introdução às redes sociais.
"Ela já estará falando ao telefone com suas amigas, e se outros também fizerem isso, esperamos atrasar a entrada nas redes sociais", afirmou.
As crianças estão aprendendo a se comunicar adequadamente. O Papai Noel trouxe um telefone fixo para os filhos de Eliza Bianco, de 6, 8 e 10 anos, no Natal. Desde então, eles têm tido conversas "adoráveis" com amigos, aprendendo também a etiqueta telefônica. Bianco, executiva de relações públicas de Saratoga Springs, ensinou seus filhos a se apresentarem corretamente ao atender e fazer chamadas.
"Não é um FaceTime", ressaltou Bianco. "O nome não aparece."
Essas interações ensinam boas maneiras e comunicação formal, algo que seus filhos têm apreciado.
Recentemente, um dos filhos de Bianco e o filho de Marie McCabe, neuropsicóloga pediátrica, tiveram um desentendimento. Após conversarem por telefone fixo, decidiram se desculpar com a turma. McCabe acredita que essa comunicação foi facilitada pela ausência de distrações visuais, permitindo um desenvolvimento social mais genuíno.
Você deveria ter um telefone fixo?
A decisão de ter um telefone fixo para os filhos depende de vários fatores, segundo a Dra. Shayl Griffith, psicóloga clínica e professora assistente na Florida International University.
Ela sugere que as famílias desenvolvam um plano de mídia baseado nas necessidades e circunstâncias de cada um. "Apenas adquirir um telefone fixo pode não ser a solução ideal", alertou Griffith.
Os telefones fixos podem oferecer mais independência às crianças, protegendo-as das redes sociais e da internet. No entanto, não substituem a necessidade de habilidades digitais. A psicóloga recomenda que os pais comecem a conversar sobre o uso seguro da internet e estabeleçam regras claras para quando os filhos adquirirem smartphones.
Se a intenção é adiar a introdução às redes sociais, o envolvimento de outros pais é essencial. Se os amigos não tiverem telefones fixos, será mais difícil para seu filho manter conexões sociais.
E se seu filho preferir um smartphone? Griffith aconselha um diálogo aberto. Por exemplo, se eles desejam participar de um grupo que utiliza redes sociais, como podem fazer isso de forma segura?
Para muitas famílias, o foco é promover conversas significativas e produtivas, e utilizar um telefone fixo pode ser uma maneira de facilitar essa comunicação, mesmo quando os filhos começam a pedir acesso às redes sociais.
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