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'Se não nos matarem, ficaremos aqui': o temor dos iranianos com escassez de comida e bombardeios

Temor no Irã: Escassez de comida e bombardeios

Autor: Redação, BBC News Mundo

A situação no Irã se agravou com uma intensa ofensiva militar promovida pelos Estados Unidos e Israel, resultando em uma guerra devastadora na região.

Os bombardeios têm atingido instalações militares, infraestrutura vital, aeroportos e áreas urbanas em diversas cidades iranianas. De acordo com a Human Rights Activists (HRANA), com sede nos EUA, mais de 1 mil civis já perderam a vida.

Em resposta, o Irã e suas milícias aliadas têm atacado alvos americanos e de seus aliados, incluindo um ataque com drones à Embaixada dos Estados Unidos em Riad, na Arábia Saudita. Também houve ações em pontos estratégicos no Kuwait, Bahrein, Catar e Emirados Árabes Unidos.

A população civil no Irã enfrenta uma realidade marcada por explosões, cortes de eletricidade, interrupções de internet e destruição de infraestrutura, além da repressão imposta pelo regime.

Moradores expressaram à BBC News Persa suas preocupações com a escassez de alimentos e o aumento dos preços em meio aos conflitos contínuos.

Embora seja difícil avaliar plenamente o impacto da guerra na vida cotidiana, relatos de cidadãos trazem informações cruciais.

O jornalista Ghoncheh Habibiazad conversou com várias pessoas no Irã após os recentes ataques.

Em geral, os habitantes de Teerã afirmaram que algumas áreas da capital pareciam mais tranquilas em comparação ao dia anterior.

"Hoje, não ouvi nenhum ataque. Parece a calmaria que precede a tormenta", disse Shayan, de Karaj, a uma hora de Teerã. Ele mencionou as dificuldades para conexão à internet.

Omid, um jovem de cerca de 20 anos, comentou sobre o crescente temor em relação à duração da situação. "Eu imaginava que eles atacariam certas autoridades, como Khamenei, e que, a esta altura, já teriam terminado", afirmou.

"Há mais presença policial nas ruas, mas elas estão vazias. Algumas lojas fecharam, especialmente nas regiões afetadas", acrescentou.

Cidadãos expressam crescente preocupação com a oferta de alimentos e os aumentos de preços. Nasrin, moradora de Teerã, destacou: "Precisamos nos abastecer porque não sabemos quanto tempo isso irá durar."

Pouya, de cerca de 30 anos e residente de Pardis, relatou que os preços dispararam, especialmente os do arroz e das batatas.

A imprensa estatal anunciou que a exportação de produtos agrícolas e alimentícios foi proibida "até novo aviso", a fim de priorizar o abastecimento interno.

Os preços já eram elevados antes do conflito, e em dezembro, aumentos no custo de vida e sanções internacionais provocaram protestos em todo o país, que resultaram em repressão brutal.

Maryam, que tem cerca de 20 anos e vive no norte de Teerã, enviou uma mensagem ao jornalista da BBC. "Os ataques da noite passada foram terríveis. Nossa casa balançava."

Ela afirmou que não pretende deixar a capital. "Se não nos matarem, ficaremos aqui enquanto houver convocações de protestos nas ruas."

Os pacotes de internet também tiveram aumento, dificultando a conexão, conforme relatou Shayan.

O jornalista da BBC News Persa ressaltou que, devido aos cortes de internet, é complicado entender a situação interna do país. "As pessoas conseguem se conectar, mas apenas momentaneamente."

O Irã frequentemente nega vistos de entrada a jornalistas internacionais, restringindo a coleta de informações sobre os eventos no país.

O jornalista Mohammad Khatibi, da rede estatal Press TV, informou que todas as áreas de Teerã foram atingidas pelos ataques desde o início do conflito.

Ele mencionou que o Grande Bazar da cidade foi "reduzido a escombros".

Em resposta à morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, durante os ataques, Khatibi observou que houve apenas "pequenos grupos" comemorando, sem manifestações em larga escala.

O Exército israelense anunciou ataques a instalações do governo iraniano e outros prédios. Vídeos verificados pela BBC mostraram explosões em Pardis, a leste da capital.

O Irã retaliou com mísseis e drones, atingindo alvos em Tel Aviv e outros locais, além de realizar ataques em países que abrigam bases americanas, como Catar, Bahrein, Jordânia, Emirados Árabes Unidos e Kuwait. Recentemente, o Irã ampliou seus ataques para navios e instalações civis, incluindo hotéis em Dubai.


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