'Se eu não tentar, quem vai?': mães desafiam descaso estatal na busca por desaparecidos em MG
'Se eu não tentar, quem vai?': mães desafiam o descaso estatal na busca por desaparecidos em MG
Casos de desaparecimentos precisam ser registrados imediatamente — não é necessário esperar 24 horas. Em Minas Gerais, informações podem ser comunicadas pelo telefone 0800-2828-197 ou pelo site da Polícia Civil: https://desaparecidos.policiacivil.mg.gov.br/.
A história de Maria Antônia Pereira é uma repetição angustiante que ela narra há quase sete anos, desde que seu filho, Osmar Fernandes Pereira de Azevedo, desapareceu. No dia 20 de março de 2019, Osmar, então com 34 anos, saiu de casa na periferia de Belo Horizonte para visitar amigos em Juatuba. Ele pegou carona com o pai até a estação de metrô Eldorado em Contagem, onde embarcou em um ônibus. Durante o trajeto, ligou para a mãe para tranquilizá-la, mas, após uma breve conversa, seu celular perdeu sinal e ele não foi mais encontrado.
A preocupação de Antônia aumentou após a prisão de Osmar em 2004, quando ele foi condenado a mais de 20 anos. Dependente químico, ele se envolveu em crimes para sustentar o vício, culminando em um confronto policial que resultou na morte de um agente. A partir de então, a família viveu sob ameaças.
Após o desaparecimento, Antônia tentou registrar a ocorrência em uma delegacia, mas foi informada de que seu filho era considerado foragido. Desesperada, buscou ajuda em várias instituições, incluindo a Ouvidoria da Polícia Civil e a Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Somente em 5 de junho de 2019, um boletim de ocorrência foi registrado, mas a investigação foi marcada por descaso e falta de diligência.
Frente a essa situação, Antônia se mudou para Juatuba e começou a investigar por conta própria, participando de feiras para vender artesanato. Ela acredita que Osmar foi vítima de um desaparecimento forçado e já ouviu rumores de que seu corpo poderia estar no Rio Paraopeba.
A Polícia Civil afirmou que fez buscas e confeccionou cartazes, mas não realizou diligências eficazes. O Ministério Público também se envolveu, buscando esclarecer a falta de providências da polícia.
Antônia encontrou apoio em outras mães na mesma situação, como Carla Maria de Souza, que busca seu filho Saulo Moreira de Souza, desaparecido desde 30 de dezembro de 2022. Saulo, de 28 anos, estava envolvido em negócios com veículos e tinha sido ameaçado por dívidas. Após conseguir registrar um boletim de ocorrência, Carla se deparou com pistas que ligavam seu filho a pessoas envolvidas em situações de violência.
As investigações foram lentas e marcadas por reviravoltas, mas a busca por justiça continua. Tanto Antônia quanto Carla expressam a frustração com as falhas do sistema de Justiça, mas permanecem firmes em sua luta. A dor de perder um filho e a ausência de respostas transformaram suas vidas em uma batalha incessante pela verdade e pela justiça.
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