Guilherme Boulos Sâmia Bomfim: ‘Talvez Boulos não veja mais o PSOL como projeto estratégico para a esquerda’

Sâmia Bomfim: ‘Talvez Boulos não veja mais o PSOL como projeto estratégico para a esquerda’

Deputada paulista critica a defesa do ministro de Lula sobre a formação de uma federação com o PT, que foi rejeitada pelos psolistas

Sâmia Bomfim (PSOL-SP) criticou, em entrevista para VEJA, o seu colega de partido, Guilherme Boulos, pela defesa da formação de uma federação dos petistas. Para ela, o grupo ligado a ele não vê mais o PSOL como um projeto estratégico da esquerda nacional.

Boulos — que foi o deputado federal mais votado do PSOL em São Paulo em 2022, com mais de 1 milhão de votos, e, hoje, é o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República — lidera a única corrente interna do partido, a chamada Revolução Solidária, que defendia a ideia, rejeitada no último sábado pelo diretório nacional do partido. Junto a ele no grupo estão outros nomes de peso, como a deputada Erika Hilton (PSOL-SP) e a ministra Sônia Guajajara (Povos Indígenas).

“Eu acho que tem a ver com um projeto do Boulos de ficar mais próximo do Lula e disputar uma linha sucessória, o que, evidentemente, para o Lula, não passa por fora do PT”, declarou Sâmia.

Há alguns dias, inclusive, dois dirigentes do partido e uma vereadora de Florianópolis decidiram sair do grupo de Boulos por serem contra a ideia de federação e perceberem nela um projeto pessoal e individual do ministro. “Nos últimos meses, ficou evidente uma mudança de estratégia por parte de Guilherme Boulos e do núcleo dirigente da Revolução Solidária. Em vez de apostar no fortalecimento da esquerda como projeto coletivo, passou a prevalecer a ideia de buscar um atalho: aproximar Boulos o máximo possível de Lula para tentar viabilizar uma eventual indicação presidencial em 2030. Essa lógica ajuda a explicar o movimento iniciado em dezembro, quando se buscou coesionar a Revolução Solidária em torno da proposta feita pelo PT para que o PSOL ingressasse na Federação Brasil da Esperança. A proposta foi apresentada de forma surpreendente e fora de tempo, mas, rapidamente, passou a ser tratada como estratégica, necessária e urgente. Para facilitar a aceitação dessa federação, construiu-se uma narrativa de que o PSOL corria risco iminente de não alcançar a cláusula de barreira. Criou-se um ambiente de medo para reduzir resistências internas. No entanto, os fatos não sustentam essa tese: em 2022, o PSOL superou com folga as exigências que valerão para 2030, e não havia qualquer dado concreto que indicasse risco real para 2026”, diz um trecho do texto.


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