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Rússia abre investigação contra o CEO do Telegram

Investigação na Rússia contra o CEO do Telegram

As autoridades russas iniciaram uma investigação criminal contra Pavel Durov, o fundador do aplicativo de mensagens Telegram. Ele é acusado de apoiar atividades terroristas.

A medida ocorre em um contexto de intensificação do bloqueio ao aplicativo no país, com o governo buscando promover uma alternativa estatal chamada MAX.

O caso foi aberto com base no Artigo 205.1, Parte 1.1, do Código Penal russo, que trata do apoio a atividades terroristas. Um jornal estatal publicou um extenso artigo sobre a investigação, afirmando que sua redação se baseou em dados do Serviço Federal de Segurança da Rússia.

O jornal classificou o aplicativo como “uma ferramenta para ameaças híbridas”.

Recentemente, o FSB declarou que as forças armadas e os serviços de inteligência da Ucrânia estão utilizando dados coletados por meio do Telegram, incluindo informações sobre o uso do aplicativo por soldados russos.

Nos últimos meses, Moscou tem aumentado o controle sobre o Telegram, inicialmente reduzindo a velocidade de chamadas de voz e vídeo, e, mais recentemente, bloqueando temporariamente o serviço para alguns usuários.

Motivos da repressão

O governo russo argumenta que o Telegram representa uma ameaça à segurança nacional, alegando que o aplicativo se tornou uma ferramenta utilizada pela OTAN e pela Ucrânia. As autoridades consideram que o app é um canal comum para radicais e terroristas, o que o torna uma “ameaça à sociedade”.

As autoridades afirmam que a repressão a redes privadas virtuais (VPNs) e a aplicativos de mensagens, como WhatsApp e Telegram, é crucial para a segurança nacional. Atualmente, a Rússia enfrenta ataques significativos em seu território, atribuídos à Ucrânia, além de alegações de sabotagens por agências de inteligência ocidentais.

O país está ampliando seus poderes repressivos e desenvolvendo um sistema de vigilância digital mais sofisticado, seguindo um modelo semelhante ao da China. Essas ações ocorrem no contexto do conflito mais letal na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

Pavel Durov, de 41 anos, vive atualmente nos Emirados Árabes Unidos. Ele deixou a Rússia em 2014 após recusar ordens para encerrar comunidades de oposição em sua plataforma de mídia social VK.

Durov foi detido no aeroporto de Le Bourget, na França, em 2024, mas foi autorizado a deixar o país em 2025 enquanto as investigações continuam.

O Telegram possui mais de 1 bilhão de usuários ativos, sendo extremamente popular na Rússia e na Ucrânia. Desde seu lançamento em 2013, tornou-se uma das principais fontes de notícias na Rússia, sendo utilizado por soldados de ambos os lados do conflito.

O aplicativo é empregado por diversos grupos, incluindo o Kremlin, blogueiros pró-guerra e opositores ao regime de Putin. Autoridades ucranianas, incluindo o presidente Volodymyr Zelenskiy, também fazem uso da plataforma.

Os representantes do Telegram negam as alegações russas de que o aplicativo seria um abrigo para atividades criminosas, assim como rejeitam a ideia de que estão sob influência de agências de inteligência ocidentais ou ucranianas.

Agências de inteligência ocidentais afirmam que estão enfrentando a maior ameaça russa desde a Guerra Fria, buscando recrutar agentes dentro da Rússia, mas negando qualquer intenção de desestabilizar o país.


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