ROGÉRIO DEFENDE QUEBRAS DE SIGILO E CONVOCAÇÕES PARA APURAR ESQUEMA BILIONÁRIO NO SISTEMA FINANCEIRO
Rogério Carvalho defende medidas rigorosas em investigação de esquema financeiro
Publicação: 25 de fevereiro de 2026
Na manhã desta quarta-feira, 25, durante a reunião da CPI do Crime Organizado no Senado Federal, o senador Rogério Carvalho (PT/SE) manifestou-se de forma contundente em favor de quebras de sigilo bancário e fiscal de indivíduos envolvidos em delitos financeiros. Ele também solicitou investigações mais profundas sobre a atuação de facções criminosas e o fenômeno conhecido como “novo cangaço”. Carvalho caracterizou o caso em análise como “um dos maiores esquemas do sistema financeiro brasileiro”, que teria movimentado mais de R$ 80 bilhões.
O senador alertou que o impacto dessa situação pode afetar milhares de correntistas e investidores. “Estamos falando de milhares de pessoas que podem perder seus investimentos. Isso prejudica a credibilidade do sistema financeiro. Se não tivéssemos um histórico de instituições sólidas, poderíamos enfrentar uma crise generalizada e fuga de capitais”, explicou.
Durante a sessão, Carvalho enfatizou a necessidade de adotar medidas eficazes, mas responsáveis, para garantir transparência e evitar pânico no mercado. Ele afirmou que o esquema investigado envolve uma rede complexa de operações financeiras utilizadas para legitimar um modelo piramidal associado ao Banco Master. “Não vamos proteger ninguém. Esta CPI precisa trazer à luz os fatos. Precisamos agir com cautela para não gerar pânico, mas com firmeza para esclarecer o que está aterrorizando o sistema financeiro e o povo brasileiro”, destacou.
O senador também mencionou que instituições financeiras, como BTG Pactual, Nubank e BRB, estariam envolvidas na compra e venda de papéis relacionados ao Master, evidenciando a complexidade das articulações. “Estamos diante de um esquema muito intricado de legitimização de um modelo piramidal envolvendo o Banco Master, que utilizou todas as ferramentas disponíveis no mercado financeiro. Isso demonstra uma inteligência extraordinária voltada à captura e apropriação da riqueza das pessoas”, detalhou.
Ele citou ainda o exemplo do antigo BESC, onde, segundo ele, “uma ação que valia R$ 1,00 foi vendida por R$ 600,00”, evidenciando indícios de crimes contra a economia popular e o sistema financeiro nacional.
Defesa das instituições públicas e da estabilidade econômica
Rogério Carvalho ressaltou a robustez do sistema financeiro brasileiro e o papel das instituições públicas na manutenção da estabilidade econômica. “Felizmente, o governo goza de credibilidade, a economia está crescendo e instituições sólidas, como Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, não foram privatizadas. É importante registrar isso aqui. Por isso, conseguimos sustentar a estabilidade”, afirmou.
O senador também destacou a atuação do Banco Central e do Ministério da Fazenda no monitoramento do caso. Ele sublinhou a importância da presença do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, na CPI para prestar esclarecimentos. “É fundamental que o presidente do Banco Central venha aqui e explique o que foi feito diante dos primeiros sinais de atuação criminosa, pois estamos tratando de um crime contra a economia popular”, enfatizou.
Enfrentamento ao crime organizado em todas as esferas
Ao ampliar a discussão, Carvalho relacionou o caso às estratégias mais amplas de combate ao crime organizado adotadas pelo Governo Lula, tanto no enfrentamento a facções quanto ao “novo cangaço” e crimes financeiros sofisticados. “O crime organizado não se limita a áreas periféricas ou a ações armadas, mas também se infiltra em estruturas financeiras complexas”, alertou.
Ele também defendeu a convocação de pessoas que possam oferecer informações sobre as operações do Banco Master e suas articulações, reforçando que a CPI não deve agir de forma seletiva. “Não nos opusemos à convocação de ninguém. Queremos um debate técnico para extrair o melhor desta comissão”, garantiu.
Por fim, Carvalho reiterou que a comissão tem o dever de esclarecer como o banco se relacionava com o Master e quais eram os mecanismos do esquema que teria lesado brasileiros e o país em mais de R$ 80 bilhões. “Existe um compromisso inegociável do Senado e do Governo Federal com a defesa da economia popular, da estabilidade institucional e do combate ao crime organizado em todas as suas formas”, concluiu.
Fonte: Assessoria de Comunicação – Foto: Daniel Gomes
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