Fátima Bezerra

Rio Grande do Norte caminha para ter eleição indireta para o Governo do Estado

Rio Grande do Norte pode ter eleição indireta para o Governo do Estado

A governadora Fátima Bezerra e o vice-governador Walter Alves devem renunciar aos cargos em abril para se lançarem candidatos nas eleições de 2026. Fátima pretende retornar ao Senado Federal, enquanto Walter buscará uma vaga na Assembleia Legislativa.

Após reunião entre os dois, ficou claro que, caso isso se concretize, haverá uma eleição indireta para o governo do Estado, pois o presidente da Assembleia, Ezequiel Ferreira de Souza, já declarou que não assumirá o cargo, focando em sua própria candidatura à reeleição.

A intenção de Fátima de se candidatar ao Senado foi manifestada no início do ano, quando ela anunciou que atenderia ao pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em prol do projeto nacional do PT. Para se adequar à legislação eleitoral, a governadora deve renunciar seis meses antes das eleições.

Inicialmente, havia a expectativa de que Walter assumisse o governo interinamente, mas especulações sobre sua desistência começaram a ganhar força em outubro. O vice-governador demonstrou preocupações sobre a atual situação financeira do Estado e se reuniu em Brasília com o presidente do PT, Edinho Silva, e o ministro dos Transportes, Renan Filho.

Em dezembro, Walter comentou pela primeira vez sobre a possibilidade de não assumir o governo, optando por uma candidatura à Assembleia Legislativa. Embora não tenha tomado uma decisão definitiva, ele indicou que, caso não assuma, disputará uma vaga na ALE RN.

Durante a reunião, Walter deixou claro seu desejo de concorrer à Assembleia, o que o tornaria impossibilitado de assumir o governo. Ele também expressou sua intenção de, se eleito, concorrer à presidência da ALRN, buscando apoio de Fátima e do PT.

Esse desencontro de interesses entre Fátima e Walter reflete a necessidade de fortalecer a aliança política entre o PT e o MDB, que começou nas eleições de 2022. Diante do impasse, Walter sugeriu que a discussão fosse levada às instâncias nacionais dos dois partidos, com uma reunião marcada para o dia 13 de janeiro em Brasília.

Ao final do encontro, ambos assinaram uma nota conjunta reafirmando o compromisso com os interesses do Estado, destacando que as decisões sobre as eleições de 2026 serão tomadas em conjunto com as direções nacionais do PT e do MDB.

Com a decisão de não assumir o governo, Walter Alves enfrenta o desafio de formar uma chapa competitiva do MDB para a Assembleia Legislativa. Recentemente, deputados que planejavam se filiar ao partido recuaram, incluindo o deputado Dr. Bernardo Amorim, que decidiu se filiar ao PV.

Os deputados Ivanilson Oliveira e Ubaldo Fernandes, que anteriormente anunciaram suas saídas do União Brasil e do PSDB, também decidiram esperar pela definição da situação entre PT e MDB antes de tomarem uma decisão sobre filiação.

Além disso, o deputado Kleber Rodrigues, que cogitava mudar do PSDB para o MDB, adiou sua decisão, uma vez que deseja concorrer à presidência da Assembleia Legislativa, cargo que Walter também almeja.

Diante desse cenário, Walter Alves terá um desafio significativo para atrair novos candidatos ao MDB e montar uma nominata forte para a Assembleia Legislativa.


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