Resistência e dissuasão: a estratégia de alto risco do Irã para a guerra
Resistência e dissuasão: a estratégia de alto risco do Irã para a guerra
A postura militar do Irã em um conflito crescente com Israel e os Estados Unidos sugere que o país não está lutando por vitória em um sentido convencional. Está lutando pela sobrevivência — e por sobreviver em seus próprios termos.
Os líderes e comandantes da república islâmica vêm se preparando para esse momento há anos. Eles sabiam que suas ambições regionais poderiam eventualmente provocar um confronto direto com Israel ou com os EUA, e que uma guerra com um provavelmente atrairia o outro.
Dada a superioridade tecnológica, as capacidades de inteligência e o avançado equipamento militar dos EUA e de Israel, seria ingenuidade achar que os estrategistas iranianos estivessem planejando uma vitória direta no campo de batalha.
Em vez disso, o Irã parece ter construído uma estratégia baseada em dissuasão e resistência. A república islâmica investiu fortemente em mísseis balísticos, drones de longo alcance e em uma rede de grupos armados aliados em toda a região.
O Irã entende as suas próprias limitações: o território continental dos EUA está fora de alcance, mas as bases americanas espalhadas pela região — especialmente em países árabes vizinhos — não estão fora de alcance. Já Israel está bem dentro do alcance de mísseis e drones iranianos, e conflitos recentes demonstraram que os seus sistemas de defesa aérea podem ser penetrados.
O cálculo do Irã também se baseia, em parte, na economia da guerra. Os interceptadores usados por Israel e pelos EUA são muito mais caros do que muitos dos drones e mísseis empregados pelo Irã. Um conflito prolongado obriga os EUA e Israel a gastar recursos de alto custo para interceptar ameaças comparativamente baratas.
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A energia é outra alavanca na economia da guerra. O Estreito de Ormuz continua sendo um dos pontos de estrangulamento mais críticos do mundo para o transporte de petróleo e gás. O Irã não precisa fechar completamente essa estreita via marítima do Golfo. Mesmo ameaças críveis e interrupções limitadas já elevaram os preços e, se continuarem, podem aumentar a pressão internacional por uma desescalada do conflito.
A estratégia do Irã é baseada na dissuasão e na resistência. No entanto, isso não significa que o país não esteja disposto a enfrentar o conflito. Em vez disso, o Irã busca uma abordagem mais calculada, com a intenção de evitar um colapso total do país.
A resistência do Irã é baseada na crença de que pode suportar punições por um tempo maior do que o tempo que seus adversários estariam dispostos a suportar os danos e custos da guerra.
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Resta saber se esse objetivo é alcançável, sem alienar permanentemente seus vizinhos.
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