infomoney

Reparo atrasado deixa conserto da casa até 400% mais caro, diz startup

Reparo atrasado encarece conserto da casa em até 400%, revela startup

28/02/2026 05h00

Atualizado 12 horas atrás

No início de cada ano, muitas famílias brasileiras seguem um padrão financeiro: reservar parte do orçamento para o IPVA, seguro e a habitual revisão do carro. A manutenção de um bem que perde valor com o tempo já faz parte da rotina. Porém, quando se trata do maior patrimônio familiar — a casa —, a situação muda. O brasileiro tende a esperar por um problema para então realizar os consertos. Essa realidade é evidenciada por uma pesquisa da Serasa em parceria com o Instituto Opinion Box.

O estudo revela que 62% dos brasileiros acreditam que os gastos com moradia afetam sua qualidade de vida. Além disso, 44% já precisaram recorrer a empréstimos e 29% ao cartão de crédito para lidar com despesas inesperadas relacionadas à casa.

Felipe Rossi, CEO da Houser, uma startup dedicada a conectar clientes a prestadores de serviços residenciais, afirma que a questão é cultural. “Os brasileiros realizam muito mais manutenções corretivas do que preventivas. Lavamos o carro e fazemos a enceragem, mas não investimos em uma manutenção simples na casa, o que se torna um problema maior ao longo do tempo”, explica.

De acordo com dados da Houser, a demora nos reparos pode aumentar os custos de uma obra em até 400%. Rossi menciona exemplos comuns, como a falta de lubrificação nas roldanas de uma vidraça, que pode resultar na necessidade de trocar todo o sistema, gerando um gasto elevado.

Outro problema frequente é o ar-condicionado. “A limpeza do dreno previne entupimentos. Muitas pessoas não realizam essa manutenção e, com isso, a água se acumula, danificando o teto, o gesso e até o piso. Uma infiltração desse tipo pode custar milhares de reais para ser reparada”, alerta.

Nos Estados Unidos, onde a Houser já atua com mais de mil prestadores de serviços cadastrados na Flórida, a manutenção preventiva é frequentemente exigida por regras rigorosas de condomínios. No Brasil, a solução passa pela educação financeira e patrimonial.

A Houser está se preparando para expandir sua atuação no Brasil, focando em um modelo de assinatura mensal chamado Houser Care. Com essa proposta, o proprietário paga uma mensalidade fixa que garante manutenções preventivas programadas e atendimento emergencial rápido, evitando que pequenos problemas se transformem em reformas onerosas. A meta da empresa é cadastrar cerca de 100 mil profissionais parceiros no país.

Além de proteger o patrimônio das famílias, Rossi ressalta a importância social da valorização dos serviços residenciais em meio ao avanço tecnológico. Enquanto a Inteligência Artificial altera o mercado de trabalho corporativo, o trabalho manual e técnico em residências continua sendo essencial.

“Utilizamos a tecnologia para aprimorar a experiência do cliente, mas a execução ainda depende de pessoas. Essa área tem um grande potencial de emprego no futuro”, conclui o executivo.


← Voltar para as notícias